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Titanic: 110 anos do naufrágio do emblemático navio

Tecnologias utilizadas no Titanic marcaram era, mas não foram o bastante para salvá-lo
13/04/2022
Titanic: 110 anos do naufrágio do emblemático navio
Conheça a história por trás do Titanic e como ele utilizou a tecnologia nos anos 1900. Estude com bolsa do Educa Mais Brasil.

Quando falamos em Titanic, vem em nossa mente a figura do grandioso navio, que foi pauta da megaprodução cinematográfica homônima, dirigida e escrita por James Cameron. O filme garantiu 11 estatuetas do Oscar, a maior premiação do cinema, e é uma verdadeira obra-prima (inclusive, eu te desafio a ouvir My Heart Will Go On, de Celine Dion, sem lembrar do seu final icônico), mas a verdadeira história do Titanic traz ainda mais curiosidades do que foi retratado nas grandes telas em 1997.


O RMS Titanic era um transatlântico da White Star Line, que tinha 269 metros de comprimento e 28 metros de largura. O que o fazia ser o maior navio do mundo na época, no entanto, era o seu peso: 46.328 toneladas. Viajar numa embarcação desse porte tinha significados diferentes para os passageiros: os mais ricos poderiam ostentar na primeira classe e fazer bons negócios, enquanto os mais pobres iam para a américa em busca de melhores condições de vida.


Porém, como todos sabem, a viagem inaugural do Titanic não chegou a ser concluída. Ele saiu de Southampton, na Inglaterra, no dia 12 de abril de 1912, e pretendia chegar a Nova York, nos EUA, nos próximos dias. Entretanto, na noite de 14 de abril, há 110 anos, ele colidiu com um iceberg de aproximadamente 126 metros de comprimento, dos quais apenas 18 metros estavam na superfície. Pouco mais de 2h após a colisão, na madrugada do dia 15 de abril, o Titanic naufragou, deixando cerca de 1.500 pessoas mortas.


O navio que não afunda?


Você já deve ter ouvido a frase “nem Deus pode afundar este navio”, e se não ouviu é porquê ainda não assistiu ao filme Titanic. Na obra, ela é dita pelo personagem Caledon Hockley (Billy Zane), o empresário noivo da protagonista Rose (Kate Winslet), mas na realidade existiram boatos de que a frase tinha sido dita pelos proprietários do navio. Porém, ela na verdade surgiu após o seu naufrágio, nos jornais nova-iorquinos. Até hoje essa fake News é espalhada por aí, e os mais cristãos acreditam, inclusive, que ela foi o motivo do navio ter afundado.


Mesmo não tendo propagado essa informação, a White Star Line acreditava que o seu navio era muito resistente. Isso devido aos excelentes índices de segurança da empresa, que contava apenas com duas mortes em sua trajetória (ocasionadas por causa do naufrágio de um outro navio, chamado de Republic, em 1909). Além disso, a White Star Line descobrira que seus transatlânticos, em casos de acidente, demoravam para afundar, o que possibilitava tempo suficiente para a transferência dos passageiros para outras embarcações.


E foi por causa dessa falsa sensação de segurança que o Titanic, assim como outros transatlânticos da época, não contava com botes salva-vidas para todos os seus passageiros. Soma-se a isso, o fato de o navio possuir as últimas inovações tecnológicas, como o radiotelégrafo wireless da Marconi Company, pioneira do ramo. Era por meio do equipamento que os radiotelegrafistas (o Titanic contava com 2) poderiam utilizar o “CQD”, código para “todas as estações: perigo”, uma versão do SOS, pedido de ajuda que acionava outros navios.


Isso, na época, era considerado uma grande inovação e investimento em segurança, visto que, em 1912, somente 400 dos 20 mil navios britânicos registrados tinham radiotelegrafo, conforme explica Jonathan Mayo em seu livro “Titanic: Minuto a Minuto”. Entretanto, como já sabemos, a tecnologia não foi suficiente. O Titanic afundou.


naufragio-titanic


A tecnologia e o Titanic


O naufrágio do Titanic simbolizou a derrota da alta tecnologia da época, afinal ele foi projetado pelo conceituado arquiteto naval Thomas Andrews com o intuito de unir luxo e tecnologia, que juntos sucumbiram frente à sua falta de segurança.


Além do uso de radiotelegrafo wireless, ou seja, sem fio, estão entre os avanços tecnológicos do Titanic o fato de ele ter sido constituído de ferro e aço, e também de possuir eletricidade em todos os seus aposentos. O navio também contava com uma espécie de usina, que operava no casco, onde os trabalhadores queimavam toneladas de carvão para produzir o vapor que impulsionava suas máquinas.


Aproximadamente 600 toneladas de carvão eram necessárias para manter o Titanic à velocidade de 22 nós. Seus motores forneciam 55 mil cavalos de potência para o funcionamento das suas hélices gigantes, e também para o abastecimento da eletricidade (o navio contava com 10 mil lâmpadas).


A tecnologia do transatlântico era tanta pra época, que ele continha 16 compartimentos, e mesmo que quatro deles inundassem, ele continuaria flutuando sem riscos. O problema é que a colisão com o iceberg perfurou seu casco e a água inundou cinco compartimentos. Além disso, ainda que contasse com toda uma riqueza tecnológica, o RMS Titanic era um navio lento, e por estar em sua velocidade máxima, foi impossível virá-lo a tempo de desviar da enorme pedra de gelo.


navio-titanic


As falhas que acompanharam o Titanic vão além do naufrágio em si. Muitas delas expõem erros de cálculo, falta de conhecimento, má aplicação da tecnologia e imprudência. O número insuficiente de botes para todos era um ponto, assim como uma navegação em alta velocidade (para os padrões do navio), a falta de binóculos para o primeiro assistente do capitão (o que dificultou a visualização do iceberg a tempo) e o uso de coletes salva-vidas feitos com madeira. Estes últimos foram os responsáveis pela morte de muitos passageiros que, ao caírem ou pularem na água, bateram o queixo e o pescoço no equipamento.


Os destroços do Titanic


Ao afundar, o Titanic se partiu em dois, e por isso sua parte traseira e a proa estão separados por mais de 600 metros de distância. Os seus destroços, por sua vez, cobrem uma área de 15 milhas quadradas, e se encontram a uma profundidade de 12.500 pés (3.800 metros), a cerca de 600 km a sul-sudeste da chamada Ilha da Terra Nova, no noroeste do Oceano Atlântico.


Nessa profundidade, a pressão da água é tão grande que poucas criaturas conseguem viver, a luz do sol não chega e um ser humano morreria comprimido em questão de segundos. Então, como fazem os pesquisadores para verificar o estado do navio?


Todas as expedições feitas aos destroços do RMS Titanic ocorrem por meio de submarinos especiais. Inclusive, pesquisas feitas recentemente evidenciaram que eles estão desaparecendo, e que até o final do século XXI não restará nada da embarcação devido a ação de bactérias que estão se alimentando de todo o ferro do navio. Elas receberam o nome de Halomonas Titanicae, em homenagem a ele.


A tecnologia de hoje daria um rumo diferente ao Titanic?


Não podemos garantir que sim. Se tem uma coisa que a história do Titanic ensina é que a tecnologia sozinha não basta. Para a época, o transatlântico tinha tudo para ser um marco de sucesso, mas com as falhas em operações e a falta de cuidado com os passageiros, talvez nem a tecnologia que temos hoje pudesse criar uma história diferente para o Titanic.


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Fonte: E+B Educação | Daniele Marques

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