Nem todo livro termina quando chegamos à última página. Algumas obras continuam na cabeça, levantam perguntas e até mudam a maneira como enxergamos as pessoas, nossas escolhas e o mundo ao redor.
É justamente essa proposta que aparece em uma seleção publicada pela Harvard Gazette, site oficial de notícias da Universidade de Harvard. Professores e funcionários da instituição compartilharam livros que, por diferentes motivos, marcaram suas trajetórias.
As indicações percorrem temas que fazem parte da experiência humana, como identidade, ética, relações, cuidado e propósito, com reflexões que podem permanecer na mente mesmo após a leitura. Confira!
1. “Homem Invisível”, de Ralph Ellison
Indicado pela professora Danielle Allen, o romance acompanha um homem negro que deixa o sul racista dos Estados Unidos e segue para Nova York no início do século 20.
Para Allen, a obra ajudou a perceber a coexistência de aspectos positivos e negativos nas pessoas. É uma leitura sobre identidade, preconceito e as diferentes formas de enxergar o ser humano.
2. “Uma ética para o novo milênio”, do Dalai Lama
A obra parte de uma ideia simples: pessoas de diferentes origens compartilham o desejo de encontrar felicidade e evitar o sofrimento.
O Dalai Lama defende uma ética baseada na compaixão e na responsabilidade coletiva. O professor Matt Liebmann conta que costuma ler o livro aos poucos, parando para refletir sobre cada página.
3. “Relatos de um peregrino russo”
O professor Arthur C. Brooks descreve o livro como uma leitura pouco movimentada, mas justamente aí estaria uma de suas maiores lições.
A narrativa acompanha a peregrinação de um homem pela Rússia rural do século 19 e sua repetição da chamada “Oração de Jesus”. Para Brooks, a obra ensina a prestar atenção aos pequenos detalhes e encontrar significado na própria jornada.
4. “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói
Dinheiro, poder, reconhecimento e sucesso ganham outro significado diante da pergunta central do livro: estamos vivendo de acordo com aquilo que realmente importa para nós?
O professor Jerome Groopman destaca justamente essa reflexão. A história convida o leitor a pensar se suas escolhas são guiadas por desejos próprios ou pela expectativa das outras pessoas.
5. “A origem dos outros”, de Toni Morrison
A vencedora do Nobel de Literatura utiliza palestras realizadas em Harvard para discutir racismo, imigração e identidade.
Indicada por Michelle Williams, professora de Epidemiologia da universidade, a obra investiga como determinadas pessoas são transformadas em “Outros” e por que essa construção pode gerar medo e preconceito. A literatura aparece como uma ferramenta para questionar essas ideias.
6. “A arte dos encontros”, de Priya Parker
Por que algumas reuniões, festas e eventos ficam na memória enquanto outros são rapidamente esquecidos? Priya Parker analisa diferentes tipos de encontros e mostra como escolhas aparentemente simples podem torná-los mais significativos.
A obra foi indicada por Ann Whiteside, de Harvard, como uma oportunidade para repensar a maneira como nos reunimos e criamos vínculos.
7. “Middlemarch”, de George Eliot
O clássico acompanha a vida cotidiana dos moradores de uma cidade fictícia da Inglaterra e explora desejos, relações, escolhas e mudanças pessoais.
Para a professora Nancy Koehn, o romance fala sobre a tentativa de nos tornarmos versões melhores de nós mesmos. A história também propõe uma reflexão sobre como lidamos com as experiências e aprendizados da vida.
8. “How Do You Feel?”, de Jessi Gold
Ainda sem tradução para o português, o livro aborda os efeitos de colocar constantemente as necessidades dos outros em primeiro lugar.
A psiquiatra Jessi Gold parte da própria experiência para falar sobre os limites do cuidado e a importância de reconhecer a própria humanidade. Para Greg M. Epstein, capelão humanista de Harvard e responsável pela indicação, a leitura pode provocar uma reflexão importante sobre cuidar de si e dos outros.
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