É provável que você já tenha se questionado o que é patriarcado, devido à expressão ser cada vez mais utilizada e servido como tópico para diferentes debates. Ao contrário do que se imagina, a palavra não é recente, mas passou por algumas transformações em seu significado ao longo dos anos.
Inicialmente, patriarcado possuía um sentido religioso, pois, antes do século XIX, designava os patriarcas, que eram considerados os chefes de família antes ou depois do dilúvio. Posteriormente, passou a ser utilizado para se referir ao poder monárquico. Ou seja, o poder real era associado ao poder do pai sobre seus filhos.
Alguns teóricos acreditam que a dominação patriarcal era característica das sociedades pré-burocráticas. Ou seja, para eles o patriarcado não poderia ser encontrado nas sociedades capitalistas. Entretanto, as teorias feministas mostram que existe uma ordem patriarcal até mesmo no capitalismo.
Afinal, o que é patriarcado?
Para as teóricas feministas, o patriarcado é um sistema sociopolítico que coloca os homens em situação de poder, ou seja, o poder pertence aos homens. As sociedades patriarcais têm gênero masculino e a heterossexualidade como superiores em relação a outros gêneros e orientações sexuais. Por isso, é possível verificar uma base de privilégios para os homens.
0 debate feminista sobre patriarcado coloca, no centro da discussão, o poder do homem sobre a mulher existente também nas sociedades capitalistas contemporâneas. Nos sistemas patriarcais, as mulheres estão em patamar de desigualdade tendo uma série de obrigações em relação aos homens, tais como manter relações conjugais mesmo contra sua vontade, além de um grande controle sobre sua sexualidade e sua vida reprodutiva (AGUIAR, 2015)*.
O patriarcado valoriza o poder masculino em detrimento do feminino. No capitalismo, fica evidente a sua atuação quando homens são considerados com mais aptidões para cargos de liderança, por exemplo.
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Enraizado na sociedade, o sistema patriarcal cria formas de instituir a dominação dos homens. Para algumas religiões, como é o caso da Igreja Ortodoxa, o patriarcado é colocado como algo sagrado.

Fonte: Rádio Pax
Patriarcado e capitalismo
O movimento feminista colocou o patriarcado em oposição ao capitalismo, sendo que um não se reduz ao outro. Algumas organizações políticas da época defendiam que uma das consequências do capitalismo era a subordinação das mulheres. As mulheres, por sua vez, acreditavam que não seria possível conciliar os ideais feministas com o Estado, já que este estava empregnado do patriarcado.
O movimento feminista anticapitalismo passou, então, a combater o sistema social dominado por homens. Até os dias de hoje, por exemplo, percebe-se que a maioria das grandes figuras do Estado são masculinas.
Outros grupos feministas pensaram o patriarcado como um sistema de dominação histórica, sendo, portanto, uma forma de organização política. Por conta disso, por mais as instituições passassem por algumas transformações, a dominação masculina ainda seria evidente.
Características de uma sociedade patriarcal
Existem algumas características que podem ser descritas como sendo comuns ao patriarcado. Abaixo, confira as principais:
- Os homens são considerados os únicos capazes de conduzir a vida política, econômica, moral e social.
- As mulheres são consideradas seres mais fracos física e mentalmente.
- Somente os homens possuem capacidade de tomar decisões importantes.
- A superioridade da masculinidade é presente nas famílias, que dá tratamento diferenciado aos filhos.
- As mulheres são incentivadas a estarem no domínio dos homens, sendo levadas a acreditar que não possuem capacidade de decisão.
*Fernanda Maria Caldeira de Azevedo - 0 conceito de patriarcado nas análises teóricas das ciências sociais: uma contribuição feminista