Duas novas universidades Portuguesas passaram a integrar a lista de instituições de ensino a viabilizar a graduação de estudantes brasileiros no país por meio da nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): a Universidade Lusíada e a Universidade Lusíada-Norte, ambas situadas em Lisboa, capital de Portugal. O acordo foi anunciado na última semana, em publicação no Diário Oficial da União. Com isto, já são 34 universidades portuguesas com acordos interinstitucionais firmados com o Brasil.
O ENEM já abriu portas para mais de 1,2 mil brasileiros, aproximadamente, estudarem em Instituições de Ensino Superior (IES) de Portugal. Os dados foram coletados em abril de 2018 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com base em relatórios consolidados de 23 IES. Até então, eram 29 instituições portuguesas com acordos interinstitucionais de cooperação com o Brasil.
Estudante do segundo ano de Direito na Universidade de Coimbra (UC), Beatriz Chamusca conta que conseguir a pontuação necessária no ENEM e ser aprovada no processo não é tão difícil quanto muitos imaginam. “Consegui ingressar no curso que pretendia. Eu foquei bastante nos estudos e tirei uma boa pontuação. Foi preciso converter a nota do Enem e transformá-la na nota portuguesa, que varia de acordo com o curso”, detalha a estudante. A UC, que é uma das universidades mais tradicionais do mundo, foi fundada em 1920 e foi a primeira IES portuguesa a firmar o acordo interinstitucional de cooperação com o Brasil, em 2014. Embora a relação entre Brasil e Portugal seja histórica, existem diversas diferenças. “Apesar de a língua ser a mesma, há uma mudanças no vocabulário e na pronúncia. No início, foi um pouco difícil, pois é tudo muito diferente, inclusive a cultura de estudo. Lá é comum estudar em cafés ao sair das aulas”, exemplifica Chamusca, que sempre quis estudar fora do Brasil ao finalizar a educação básica.
Firmados desde 2014, os acordos interinstitucionais de cooperação foram possibilitados pela legislação portuguesa por meio do Decreto-Lei n. 36, de 10 de março 2014, criado para regular o estatuto do estudante internacional (que não tem a nacionalidade portuguesa). O Decreto “aplica-se a todas as instituições de ensino superior, públicas e privadas” com exceções como a Universidade Aberta e escolas de ensino superior militar e policial. Estudantes interessados na oportunidade devem se preparar corretamente para obter uma pontuação e poder se candidatar ao processo.
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Estudar no exterior é o desejo de muitos brasileiros, ainda que não tenham a opção de usar a nota do ENEM. É o caso de Marina Rocha, graduada em Educação Física pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), que deseja cursar o mestrado em Portugal. “Escolhi Portugal porque as universidades dão muito mais incentivo para os brasileiros estudarem lá do que quaisquer outras e ainda oferecem ajuda de custo para estudantes selecionados”, destaca.
Entre as instituições pesquisadas, a Universidade de Lisboa tem a sua preferência. “O custo da pós-graduação é menor além de ofertar o mestrado em Treino de Alto Rendimento, área que eu mais quero estudar”, completa por Rocha, de 22 anos. Além dos fatores citados, a cultura do local e a sua proximidade com outros países são os principais atrativos, na opinião da educadora física, que abrirão portas para a o enriquecimento das experiências.

