A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) testou com sucesso a crioablação para tratamento do câncer de mama, demonstrando 100% de eficácia em tumores de até 2 cm. O procedimento, minimamente invasivo, congela e elimina células cancerígenas sem necessidade de cirurgia tradicional. O estudo, realizado em 15 centros de saúde com mais de 700 pacientes, busca validar a técnica como alternativa viável ao tratamento convencional.
A crioablação já é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não faz parte da cobertura da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para tratamento do câncer de mama. A expectativa é que sua adoção reduza significativamente a fila de atendimento no país. Em outros países, como Estados Unidos, Japão, Israel e Itália, a técnica já é aplicada de forma rotineira.
A primeira aplicação em um hospital público brasileiro ocorreu em janeiro no Hospital São Paulo. A pesquisa agora compara pacientes que receberam apenas a crioablação com aquelas submetidas à cirurgia tradicional. O objetivo é comprovar a eficácia do método como alternativa definitiva para determinados casos, especialmente em mulheres acima de 60 anos.
Procedimento minimamente invasivo
A crioablação consiste na inserção de uma agulha fina na região afetada, onde é aplicado nitrogênio líquido a aproximadamente -140ºC. Esse congelamento cria uma esfera de gelo que destrói as células tumorais. Segundo o professor da Unifesp, Afonso Nazário, a incisão é mínima, comparável à de uma biópsia, e o procedimento pode ser realizado em ambulatório, sem necessidade de internação hospitalar, utilizando apenas anestesia local.
Próximos passos da pesquisa
Nessa etapa, 700 pacientes serão divididas em dois grupos: metade será tratada com crioablação, enquanto as demais passarão por cirurgia tradicional. O foco será em mulheres acima de 60 anos com tumores de até 2 cm, faixa que apresentou os melhores resultados na fase inicial do estudo. O objetivo final é comprovar que a crioablação pode substituir a cirurgia em casos selecionados, tornando-se uma alternativa viável para o tratamento do câncer de mama no Brasil.
O estudo é o primeiro na América Latina a utilizar a técnica no tratamento do câncer de mama. Os pesquisadores agora se preparam para a última fase do estudo, que ocorrerá entre 2025 e 2027. A primeira aplicação do procedimento em um hospital público brasileiro ocorreu em janeiro, na Unidade Diagnóstica do Ambulatório de Mastologia do Hospital São Paulo (HSP/Unifesp).
Veja também: O que significa o laço rosa do câncer de mama?
Prevenção ao câncer de mama
O câncer de mama diagnosticado em estágio inicial chega a ter mais 90% de chance de cura. Infelizmente não há como prevenir o aparecimento da doença de forma absoluta. No entanto, é possível tomar alguns cuidados e manter uma vida com hábitos saudáveis, como não fumar, beber bastante água, praticar atividades físicas, evitar o uso de hormônios por tempo prolongado, controlar o peso e não abusar de bebidas alcoólicas.
O câncer de mama não dói em seus estágios iniciais, por isso, é importante ficar atenta aos sinais e sintomas:
• Nódulo na mama
• Inchaço em parte da mama semelhante à casca de laranja
• Irregularidades ou retrações na pele da mama
• Inversão do mamilo
• Vermelhidão e descamação do mamilo, ou na pele da mama
• Saída de secreção pelo mamilo, particularmente se for sanguinolenta ou translúcida
• Nódulo nas axilas
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