Quando se fala em contagem de tempo, o calendário maia é um dos mais complexos e precisos, segundo a Ciência. Ele foi desenvolvido pelos povos maias, que formaram uma civilização pré-colombiana que habitou a região da Mesoamérica durante o Período Clássico.
Os maias ficaram conhecidos pelo logossilabário, o mais sofisticado sistema de escrita da América pré-colombiana. Também se destacaram na arte, arquitetura, matemática, sistema astronômico e o calendário.
Para cientistas, o calendário maia é tão enigmático que até hoje a Ciência tenta descobrir como ele funciona. Nessa semana, um estudo publicado na revista científica Ancient Mesoamerica afirma que finalmente foi descoberto como o calendário maia funciona.
Calendário maia: o que a Ciência sabia?
A História ensina que os maias se orientavam na contagem da passagem do tempo por meio de mais de um calendário. Eles eram utilizados de forma complementar, indicando os dias, o que possibilitava localizar um dia em anos diferentes, no haab solar e no tzolkin sideral.
Um era baseado no movimento da Terra ao redor do Sol - chamado de calendário solar - cujo ano, o haab, continha 365 dias, divididos em 18 uinals, meses de 20 dias cada, e com mais cinco dias epagômenos (dias adicionais), considerados como dias de má sorte. Outro era baseado no movimento do planeta Vênus e era considerado religioso - chamado de tzolkin - com 260 dias divididos em 13 períodos de 20 dias cada.
Porém, os anos de cada calendário não concordavam e as denominações dos dias demoravam a se repetir, o que acontecia a cada 52 anos. Por isso, os maias não viam necessidade de marcar seus anos. O que pesquisadores sabiam é que o calendário maia era uma forma extremamente complexa para se localizar no tempo, mas bem exata, pois se adequava aos movimentos dos astros celestes.
Calendário maia: o que diz o novo estudo?
A contagem do calendário maia que se referia a um ciclo de 819 dias ainda era uma incógnita. Mas pesquisadores afirmam ter descoberto como funciona o calendário maia, de acordo com estudo publicado na revista científica Ancient Mesoamerica.
Nesse novo estudo, buscou-se entender como o calendário maia funcionava em um período não de 819 dias, mas de 45 anos, relacionando com o tempo que um objeto celeste leva para retornar aproximadamente ao mesmo ponto no céu, o que recebe nome de período sinódico.
Conforme o estudo, ao aumentar a duração do calendário para 20 períodos de 819 dias, surge um padrão no qual os períodos sinódicos de todos os planetas visíveis são proporcionais aos pontos de estação no calendário maior de 819 dias. Então, os pesquisadores entenderam que existiam outras pistas que sugeriam que a contagem de 819 dias estava associada aos períodos sinódicos dos planetas visíveis no Sistema Solar.
Assim, nesse novo estudo, os pesquisadores concluíram que em vez de limitar seu foco a qualquer planeta, os astrônomos maias que criaram a contagem de 819 dias o imaginaram como um sistema de calendário maior que poderia ser usado para previsões de todos os períodos sinódicos do planeta visível, bem como pontos de mensuração com seus ciclos.
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