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ESCOLAS

Livros de colorir ganham espaço na psicoeducação infantil

Ferramentas lúdicas ajudam no equilíbrio emocional e no foco das crianças
Livros de colorir ganham espaço na psicoeducação infantil
Foto gerada por IA

Cercadas por telas cheias de sons, cores e recompensas instantâneas, as crianças perdem foco e contato com seu mundo interno. Os livros de colorir funcionam como ferramentas terapêuticas e educativas, surgem como pausa criativa, estimulando presença, imaginação e reconexão, experiências cada vez mais raras na infância digital.


Segundo o Ministério da Saúde, 24% das crianças brasileiras com menos de cinco anos não têm acesso a livros infantis em casa, enquanto 33% passam mais de duas horas diárias diante de telas. Esse dado reforça a importância de atividades que envolvam o corpo, o tato e a atenção como práticas de desenvolvimento integral.


A redescoberta do lápis e do papel


Em um mundo dominado por telas, retomar o contato com materiais concretos é um ato de cuidado. Colorir exige paciência, coordenação, introspecção e imaginação, habilidades essenciais para o desenvolvimento cognitivo e emocional. Quando compartilhada entre pais e filhos, a atividade fortalece vínculos afetivos e cria espaços de diálogo e escuta.


Os chamados livros de colorir psicoeducativos vão além do entretenimento. Eles integram ludicidade e aprendizagem emocional, ajudando crianças a identificar e compreender sentimentos de forma leve e acessível. Assim, o simples gesto de escolher cores e preencher desenhos se transforma em um exercício de autoconhecimento e autorregulação.


Fenômeno editorial e influência cultural


A tendência se reflete também no mercado editorial. De acordo com o ranking da plataforma PublishNews, seis dos dez livros mais vendidos no país são de colorir. As duas primeiras posições pertencem à coleção “Bobbie Goods”, publicada pela HarperCollins. O sucesso relembra o fenômeno de Jardim Secreto (2015), de Johanna Basford, que popularizou o colorir como forma de relaxamento e expressão artística.


As novas edições, com traços delicados e temática “fofinha”, têm conquistado crianças e adolescentes, além de impulsionar a venda de canetas coloridas. Para especialistas em educação e psicologia, o movimento é positivo, representa uma alternativa saudável ao tempo excessivo de tela e favorece o foco e a calma, competências diretamente ligadas ao aprendizado.


A popularidade também se apoia em fatores estéticos e sociais. Os desenhos acolhedores e o estilo cozy (“aconchegante”) dialogam com a busca contemporânea por conforto e bem-estar. A divulgação por influenciadores amplia o alcance do hábito e o transforma em tendência cultural.


Benefícios para o desenvolvimento e a aprendizagem


Colorir fortalece a coordenação motora fina, essencial para a escrita e para o manuseio de objetos. Do ponto de vista cognitivo, estimula foco, percepção visual, paciência e criatividade. Em termos emocionais, promove relaxamento e ajuda na redução da ansiedade, proporcionando momentos de tranquilidade e concentração, um contraponto ao imediatismo digital.


Essas habilidades têm reflexo direto na escola. Crianças com maior capacidade de atenção e regulação emocional apresentam melhor desempenho acadêmico e convivem de forma mais equilibrada com colegas e professores. O ato de compartilhar a atividade com outras crianças favorece a sociabilidade e o sentimento de pertencimento.


Entre o relaxamento e a pressão estética


Apesar dos benefícios, especialistas alertam para o uso excessivo das redes sociais na divulgação de desenhos e técnicas de pintura. Vídeos com resultados altamente elaborados ou materiais caros podem gerar frustração e comparações, especialmente entre crianças e adolescentes.


O ideal, segundo educadores e psicólogos, é reforçar o valor do processo criativo e não do resultado final. O importante é permitir que a criança experimente cores e crie de forma livre, sem medo de errar ou de não atingir padrões estéticos impostos pela internet.


Leia também: Como os livros de colorir melhoram desempenho escolar?


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Fonte: CNN Brasil e Ser Psicólogo

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