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ESCOLAS

Retorno das aulas presenciais evita prejuízos emocionais para estudantes, dizem educadores

Modelo híbrido começa a valer em fevereiro em algumas escolas particulares
Retorno das aulas presenciais evita prejuízos emocionais para estudantes, dizem educadores
O retorno das aulas presenciais nas escolas particulares está programado para o início de fevereiro em algumas cidades do país. A decisão tem o apoio de pais e educadores que estão preocupados com a saúde mental dos jovens longe das escolas. 

Em João Pessoa (PB), o governo autorizou a retomada das aulas presenciais do ensino infantil ao médio. Na cidade, a instituição Neo Gênesis Colégio e Curso é uma das que estão preparadas para receber os estudantes com toda a segurança exigida pelos protocolos de prevenção à Covid-19. “Estamos seguindo todas as recomendações ditadas pelo governo. Tomamos todos os cuidados para não haver aglomeração, cuidados com a sinalização, disponibilização de álcool em gel, modificamos o bebedouro para facilitar que os alunos bebam água em garrafinhas individuais e vamos fechar algumas áreas da escola”, diz o diretor Phelipe Ferreira.

A advogada Elaine Pontes, que trabalha no Colégio Carrazzoni, relata que houve muitas queixas dos pais no início da pandemia e, neste ano, “foi quase que unânime o clamor pelas aulas presenciais”.


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Pesquisa aponta que 92% dos pais defendem a continuidade das atividades virtuais em casa em conjunto com as aulas presenciais.


Para a diretora do Colégio Essere, de São Paulo, Priscila Raso, o retorno às aulas presenciais para os alunos da educação infantil será diferente dos ensinos fundamental e médio e das faculdades. Na opinião da educadora, o desafio para os profissionais da educação que lidam com o público infantil vai ser trabalhar a questão emocional na volta às aulas. 

“Com os alunos menores o processo é mais delicado, pois envolve o emocional das crianças. Por isso, manter o vínculo da criança com a escola durante o isolamento social é importante, pois esse período mexeu muito com a saúde mental das crianças”, avalia Raso.

Prejuízos emocionais


A relação do estudante com a escola contribui para o desenvolvimento das capacidades coletivas e individuais. O prejuízo de deixar o aluno muito tempo afastado do ambiente escolar não é só acadêmico. Pedagogos e psicopedagogos destacam que há perdas emocionais quando o vínculo com a escola se rompe.

O convívio escolar é propício para a expressão de sentimentos, de acordo com a psicóloga Sabrina Costa. “A escola pode ajudar os alunos a estarem conectados com a vida, além de fazer com que criem espaço de transparência e diálogo”, ressalta. 

Para o diretor escolar Phelipe Ferreira, o prejuízo vai além do conteúdo. “Na minha visão, não é só a perda de socialização, de contato físico, do contato com a escola. O conteúdo a gente recupera, mas o tempo sem o contato com as pessoas pode prejudicar a mente das crianças”, argumenta.

Retorno com ensino híbrido 


Um levantamento conduzido pela Fundação Lemann, em julho de 2020, ouviu pais de estudantes em todo o país e chegou à conclusão de que o ensino híbrido é apontado como uma das alternativas apoiadas por esses responsáveis. 

Dentre as alternativas para a retomada das aulas com segurança, respeitando o distanciamento social e a capacidade de cada sala de aula, a pesquisa mostrou que 92% dos pais defendem a continuidade das atividades virtuais em casa em conjunto com as aulas presenciais (ensino híbrido).

O ensino híbrido é a escolha dos colégios Carrazzoni e Neo Gênesis, ambas de João Pessoa. O revezamento entre estudantes e a opção de acompanhar as aulas em casa também serão adotados.





No estado do Espírito Santo o retorno presencial das aulas na rede particular está previsto para ser gradual a partir do dia 01 de fevereiro, de acordo com o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES). O ensino também ocorrerá de forma híbrida, sendo que em algumas escolas haverá revezamento semanal e intervalos para entrada e saída das turmas para evitar aglomeração.

Já em Minas Gerais, onde Belo Horizonte ultrapassou a marca de 2 mil pessoas mortas pela Covid-19, segundo o G1, ainda não há consenso sobre a volta às aulas presenciais. Neste mês de janeiro, representantes de escolas particulares da região se uniram para pedir ao governo o breve retorno. “Escolas não foram responsáveis pelo aumento do número de casos de Covid-19 e não se pode mais continuar a sufocá-las, enquanto crianças e adolescentes, a cada dia se fragilizam/adoecem psicologicamente”, diz trecho de carta enviada à gestão estadual. 

Em Salvador, capital da Bahia, pais de alunos de escolas particulares realizaram um protesto no dia 16 deste mês. Eles se reuniram em frente à sede da Secretaria de Educação do Estado para pressionar pelo retorno das aulas presenciais na cidade. Contudo, a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares em Salvador pode ser na segunda quinzena de fevereiro ou início de março, segundo anúncio feito pelo prefeito Bruno Reis, na manhã desta quinta-feira (21).
Fonte: E+B Educação | Brenda Chérolet

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