A segurança de crianças e adolescentes no ambiente escolar preocupa a população brasileira. Segundo um levantamento do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest, 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras. Apenas 26% enxergam as instituições de ensino como ambientes seguros.
O estudo faz parte da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes”, que ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.
O novo recorte investiga como a população percebe o papel das escolas na proteção de crianças e adolescentes e quais fatores contribuem para a sensação de insegurança.
Violência entre alunos é a principal preocupação
Entre os brasileiros que não consideram a escola um ambiente seguro, a violência entre estudantes aparece como o principal motivo, citada por 70% dos entrevistados.
A violência praticada por profissionais da escola contra alunos foi mencionada por 8%. Outros 18% apontaram as duas situações como fatores de insegurança, enquanto 4% não souberam responder ou não opinaram.
A percepção de risco também varia conforme a rede de ensino. Entre pais e mães com filhos matriculados em escolas públicas, 72% consideram esses espaços inseguros. Na rede privada, o índice é de 59%.
Confiança nas escolas também está em queda
O levantamento mostra que a confiança da população nas instituições de ensino merece atenção. Apenas 30% dos entrevistados afirmam confiar muito nas escolas, enquanto 55% dizem confiar pouco e 14% declaram não confiar.
A comparação com 2021 também chama a atenção. Naquele ano, 55% dos brasileiros afirmavam confiar totalmente nas escolas, considerando a faixa máxima de avaliação utilizada na pesquisa da época.
No levantamento atual, psicólogos, policiais e conselheiros tutelares aparecem entre as instituições e profissionais com maior nível de confiança para proteger crianças e adolescentes. As escolas ficam próximas do fim da lista, à frente apenas de abrigos e organizações não governamentais (ONGs).
O que pode tornar as escolas mais seguras?
Para os entrevistados, melhorar a segurança escolar exige ações conjuntas entre famílias, profissionais da educação e instituições de proteção à infância.
A maior participação das famílias na vida escolar e a capacitação de professores para identificar situações de violência foram as medidas mais citadas, ambas com 23%. Outras iniciativas apontadas incluem:
• 19%: parceria com Conselho Tutelar, serviços de saúde e assistência social;
• 17%: presença de psicólogos e oferta de apoio nas escolas;
• 12%: ações de prevenção e orientação sobre violência;
• 6%: outras alternativas, ausência de opinião ou falta de resposta.
Os resultados reforçam a importância de discutir a prevenção da violência e o acolhimento no ambiente escolar. A percepção de insegurança pode afetar não apenas a relação das famílias com as instituições de ensino, mas também as condições necessárias para o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças e adolescentes.
Construir espaços mais seguros depende de medidas de prevenção, identificação de situações de risco e colaboração entre escola, família e rede de proteção.
Veja também: Violência de gênero nas escolas: o que é e como combater?
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