A qualidade do ensino está entre as principais preocupações dos estudantes brasileiros da rede pública. Para um em cada quatro alunos do ensino médio estadual, melhorar o processo de ensino e aprendizagem deve ser uma das prioridades do próximo governador, que assume o cargo em 2027.
O resultado evidencia a importância de políticas públicas voltadas não apenas ao acesso à escola, mas também às condições necessárias para garantir uma educação de qualidade.
Os dados fazem parte da pesquisa O que os estudantes pensam sobre a Educação?, realizada pelo Instituto Datafolha a pedido de organizações ligadas à área educacional. O levantamento reuniu 5.296 estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio, contemplando as cinco regiões do país.
Além da aprendizagem, os jovens apontaram questões relacionadas à infraestrutura das escolas, à alimentação, à atuação dos professores, à tecnologia e às possibilidades de preparação para o mercado de trabalho.
Estrutura das escolas públicas também preocupa os estudantes
As condições físicas das instituições de ensino aparecem entre as demandas dos alunos. Segundo a pesquisa, 22% dos estudantes do ensino fundamental II e 18% dos matriculados no ensino médio indicaram melhorias na estrutura escolar como uma prioridade.
A alimentação também integra a lista de preocupações. A qualidade da merenda foi mencionada por 10% dos alunos do ensino fundamental II e por 8% dos estudantes do ensino médio.
Os resultados mostram que a experiência escolar envolve diferentes fatores. Ambientes adequados, alimentação de qualidade e recursos disponíveis podem contribuir para a permanência dos jovens na escola e para melhores condições de aprendizagem.
Nesse cenário, os desafios da educação pública exigem atenção tanto ao conteúdo ensinado em sala de aula quanto à estrutura oferecida aos estudantes.
Explicação dos professores influencia a avaliação da escola
A maneira como os conteúdos são apresentados pelos professores está relacionada à percepção dos alunos sobre a qualidade da instituição em que estudam.
De acordo com o levantamento, 75% dos estudantes que consideram boas as explicações dos docentes classificam a própria escola como boa ou ótima. Entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem a matéria, o índice cai para 48%.
A motivação dos profissionais também foi avaliada pelos participantes. No ensino fundamental II, 78% dos alunos consideram que seus professores estão motivados para dar aulas. No ensino médio, a proporção é de 69%.
Outro ponto de atenção é a continuidade das aulas. No ensino médio, 66% dos entrevistados concordam total ou parcialmente que existem disciplinas que passam períodos sem professor. No fundamental II, essa percepção foi registrada por 61% dos estudantes.
A ausência de docentes pode comprometer o desenvolvimento dos conteúdos previstos e dificultar a preparação dos alunos para etapas posteriores da formação. Os dados reforçam a relevância de medidas que favoreçam a permanência de profissionais nas escolas e a continuidade do calendário pedagógico.
Cursos técnicos são valorizados pelos jovens
A preparação para o futuro profissional também aparece entre os temas investigados. Mais de 90% dos estudantes consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante o ensino médio.
O resultado indica que os jovens reconhecem a importância de desenvolver competências que possam ser utilizadas no mercado de trabalho, sem deixar de lado a formação escolar.
A educação profissional pode ampliar as possibilidades de inserção no mundo do trabalho e permitir que os estudantes conheçam diferentes áreas de atuação antes de concluir a educação básica.
Para atender a essa demanda, é importante ampliar o acesso a cursos de formação técnica e profissionalizante, além de oferecer orientação para que os jovens conheçam as alternativas disponíveis e escolham aquelas mais alinhadas aos seus interesses.
Tecnologia e inteligência artificial fazem parte da rotina de estudos
O uso de recursos digitais já integra a experiência educacional de muitos estudantes brasileiros. Conforme a pesquisa, 70% afirmam que os professores utilizam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana.
Entre os próprios alunos, a inteligência artificial (IA) também ganhou espaço: 71% disseram utilizar essas ferramentas com frequência ou às vezes para estudar.
Apesar dessa presença, aproximadamente um em cada três estudantes discorda de que os professores estejam bem preparados para utilizar tecnologias em sala de aula.
O cenário aponta para a necessidade de investir na formação dos profissionais da educação, para que os recursos digitais sejam incorporados de maneira planejada e contribuam efetivamente para a aprendizagem.
A tecnologia pode auxiliar na pesquisa, na organização dos estudos e na compreensão de conteúdos. Entretanto, seu uso exige orientação, avaliação crítica das informações e acompanhamento pedagógico para que as ferramentas complementem o trabalho dos professores.
Ensino integral apresenta avaliação positiva entre os alunos
A educação em tempo integral também foi abordada no levantamento. Entre os estudantes matriculados nessa modalidade, 74% avaliam a escola como boa ou ótima. No ensino regular, o percentual é de 68%.
A jornada ampliada pode proporcionar mais tempo para atividades pedagógicas e oportunidades de participação em práticas esportivas, artísticas e culturais. Os estudantes também associam o modelo à preparação para o futuro e à possibilidade de dedicar mais horas aos estudos para o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Por outro lado, a pesquisa identificou que 20% dos alunos do ensino médio que não estudam em tempo integral trabalham ou exercem alguma atividade remunerada. Esse dado evidencia a importância de considerar a realidade socioeconômica dos jovens na elaboração de políticas educacionais.
Para parte deles, conciliar a escola com o trabalho é uma necessidade, o que torna fundamental a oferta de alternativas que permitam continuar os estudos sem comprometer a renda familiar.
Pesquisa destaca desafios para a educação brasileira
Os resultados do Datafolha oferecem um panorama das expectativas dos estudantes e dos pontos que merecem atenção na formulação de políticas públicas para os próximos anos.
Entre as principais demandas estão a melhoria da aprendizagem, o investimento na estrutura das escolas, a presença de professores, a formação para o uso de tecnologias e a ampliação das oportunidades de educação profissional.
A pesquisa também reforça a importância de ouvir os estudantes na construção de iniciativas educacionais. Com a chegada dos novos governos estaduais em 2027, as necessidades apontadas pelos jovens podem contribuir para o debate sobre prioridades e estratégias para melhorar a qualidade do ensino público.
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