O interesse dos brasileiros pelos livros cresceu entre 2024 e 2025. De
acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, o país ganhou
mais de 3 milhões de compradores no período, com destaque para o público de 18
a 34 anos, cuja participação aumentou 3,4 pontos percentuais.
Parte desse movimento acompanha a expansão das comunidades digitais voltadas
à literatura, conhecidas como “BookRedes”, nas quais leitores compartilham
opiniões, indicações e experiências com diferentes obras.
Entretanto, antes mesmo da popularização desses espaços, as séries literárias já contribuíam para aproximar crianças e adolescentes do universo
dos livros.
Ao apresentar personagens recorrentes, histórias conectadas e mundos que se
desenvolvem a cada volume, essas coleções podem despertar a curiosidade dos
leitores e estimular a continuidade da leitura.
“As séries literárias criam um vínculo com o leitor. Quando uma criança ou
um jovem encontra personagens, universos e narrativas com os quais se
identifica, a leitura deixa de ser apenas uma atividade pontual e pode se
transformar em um hábito prazeroso”, explica Lidiane Olo, Sócia e Diretora
Editorial de Educação Básica da Cogna.
Como as séries literárias conquistam novos leitores?
A literatura infantojuvenil brasileira tem exemplos de coleções que marcaram
diferentes gerações. Uma das mais conhecidas é a Vaga-Lume, da Editora Ática,
que há mais de cinco décadas publica títulos destinados a crianças e
adolescentes.
Entre as obras de destaque está A Ilha Perdida, de Maria José
Dupré, que já vendeu 5 milhões de exemplares e continua em circulação. O
sucesso do livro demonstra como histórias capazes de despertar a imaginação
podem permanecer relevantes ao longo do tempo.
Com o passar dos anos, outras coleções passaram a explorar temas próximos
dos interesses dos adolescentes, como ficção científica, distopias e conflitos
relacionados à vida em sociedade.
“A gente observa que essas narrativas conseguem dialogar muito com os
interesses e as inquietações dessa faixa etária, porque apresentam personagens
com os quais os jovens podem se identificar e conflitos que, mesmo inseridos em
universos fictícios, levantam questões próximas da realidade de muitos
leitores”, complementa Lidiane.
A possibilidade de acompanhar os mesmos personagens em diferentes livros
também cria familiaridade com a narrativa. Dessa forma, o leitor pode se sentir
motivado a conhecer os próximos volumes e, gradualmente, explorar outros
autores e gêneros literários.
3 benefícios das séries literárias para crianças e adolescentes
As coleções de livros podem contribuir para a formação de leitores de
diferentes maneiras. Além de incentivar a leitura por prazer, essas obras
ajudam a ampliar conhecimentos e a compreender questões que fazem parte da
realidade.
1. Estímulo ao hábito da leitura
Criar o costume de ler pode ser mais fácil quando a história desperta
interesse e oferece uma experiência envolvente. Nesse contexto, as séries
literárias apresentam uma vantagem: a continuidade da narrativa pode estimular
o leitor a acompanhar os acontecimentos e descobrir o que vem pela frente.
A identificação com os personagens e a familiaridade com o universo da
história também podem tornar a leitura mais convidativa, especialmente para
quem ainda está desenvolvendo esse hábito.
Um exemplo é Até que voltem os pássaros, de Severino Rodrigues, lançado
em janeiro de 2026. A obra integra a Série Vaga-Lume e apresenta um Brasil
distópico após uma devastação ambiental.
Ao abordar o desmatamento e suas consequências políticas e sociais, o livro
aproxima a ficção de questões contemporâneas e oferece aos jovens leitores a
oportunidade de refletir sobre os desafios ambientais.
2. Ampliação do repertório cultural e contato com os clássicos
O contato com obras clássicas da literatura pode começar ainda na infância.
Embora alguns livros sejam associados principalmente às atividades escolares e
à preparação para vestibulares, suas histórias também podem despertar
curiosidade e ampliar a compreensão de diferentes culturas e épocas.
Para facilitar essa aproximação, coleções com adaptações apresentam
narrativas consagradas em versões mais curtas e com linguagem acessível ao
público infantojuvenil.
É o caso da Coleção Reencontro Infantil, da Editora Scipione, que reúne
adaptações de obras da literatura mundial, como Odisseia, Moby
Dick e Ali Babá e os quarenta ladrões.
Essas versões podem funcionar como uma introdução ao universo dos clássicos,
ajudando crianças e adolescentes a conhecer personagens, enredos e referências
culturais que fazem parte da história da literatura.
“A ideia das adaptações não é substituir as obras originais, mas sim servir
de porta de entrada para que esses jovens tenham um primeiro contato com
histórias clássicas sem que a leitura se torne difícil ou maçante”, explica
Lidiane Olo.
3. Discussão de temas sociais e desenvolvimento do pensamento crítico
A literatura também pode ser uma ferramenta para apresentar assuntos
complexos de maneira acessível. Por meio de personagens e situações fictícias,
os livros permitem que crianças e adolescentes conheçam diferentes realidades e
reflitam sobre conflitos, desigualdades e desafios sociais.
Um exemplo é a série protagonizada por Parvana, da escritora e ativista canadense Deborah Ellis, publicada no Brasil pela Editora Ática. A narrativa acompanha uma menina afegã e sua família em meio a circunstâncias marcadas por conflitos armados, deslocamento forçado e instabilidade política. Traduzida para mais de 17 idiomas, a série apresenta aos jovens leitores os impactos da guerra sobre a vida de crianças e adolescentes.
Ao entrar em contato com histórias como essa, o público infantojuvenil pode
desenvolver maior compreensão sobre realidades diferentes da sua, além de
refletir sobre direitos humanos, convivência e respeito às diferenças.
“Temas como crises geopolíticas e migratórias podem ser discutidos desde cedo,
se apresentados de forma adequada à faixa etária. A literatura contribui para
aproximar crianças e jovens dessas questões e pode favorecer o desenvolvimento
da consciência social, da empatia e do pensamento crítico”, afirma Lidiane Olo.
Como incentivar o interesse dos jovens pelos livros?
O estímulo à leitura não precisa ficar restrito às atividades escolares. A
família e a escola podem contribuir oferecendo livros adequados à idade,
respeitando as preferências individuais e criando oportunidades para que
crianças e adolescentes compartilhem suas impressões sobre as histórias.
Permitir que os jovens escolham os próprios títulos também pode tornar a
experiência mais prazerosa. Histórias de aventura, fantasia, mistério, ficção
científica e outros gêneros podem funcionar como pontos de partida para
descobrir novos interesses.
Outra possibilidade é associar a leitura a momentos de convivência, como
visitas a bibliotecas, trocas de livros e conversas sobre personagens e
acontecimentos das narrativas.
Mais do que cumprir uma quantidade de páginas ou terminar uma obra por
obrigação, o objetivo é construir uma relação positiva com a literatura. Com o
tempo, essa prática pode contribuir para o desenvolvimento da linguagem, da
interpretação de textos e da capacidade de argumentação.
Bolsas de estudo do Educa Mais Brasil: oportunidades para investir na
educação
A formação de leitores faz parte de uma educação que incentiva a
curiosidade, a autonomia e o desenvolvimento do pensamento crítico. Além do
contato com os livros, ter acesso a uma instituição de ensino também pode fazer
diferença na trajetória de crianças, adolescentes e adultos.
O Educa Mais Brasil oferece bolsas de estudo em diferentes modalidades de ensino, incluindo educação básica, graduação, pós-graduação e cursos de
idiomas, conforme a disponibilidade de instituições e oportunidades.
Para consultar as opções, o interessado pode acessar o site do programa,
selecionar a modalidade de ensino, a localização, a instituição e o curso
desejado e verificar as bolsas disponíveis.
As oportunidades permitem pesquisar alternativas com descontos nas mensalidades e planejar os próximos passos da formação educacional. Assim, quem deseja investir nos estudos pode conhecer as condições oferecidas e encontrar uma opção compatível com suas necessidades.

