Maior reality do país, o Big Brother Brasil, conhecido popularmente como BBB, está prestes a entrar na sua 23ª edição, marcada para iniciar no dia 16 de janeiro. Transmitido pela emissora Globo, o programa televisivo é um sucesso de audiência e faturamento, atraindo tanto telespectadores de diferentes idades e regiões, quanto grandes marcas, que para aproveitar o boom de audiência chega a pagar milhões de reais para expor seus produtos e serviços.
O que muitos não sabem é que o Big Brother não é uma invenção brasileira. O reality original foi criado pelo magnata Johannes Hendrikus Hubert de Mol Jr., na Holanda, o mesmo que criou o The Voice e o Deal or no Deal (“Topa ou Não Topa”) que também foram adaptados e fazem grande sucesso no Brasil. John de Mil Jr. é um dos principais nomes da Endemol, produtora que distribui o formato Big brother e muitos outros para todo o mundo.
O grande irmão
O reality Big Brother foi inspirado no livro “1984”, do escritor britânico George Orwell. Na obra, publicada originalmente em 1949, conhecemos Winston Smith, funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade na fictícia Oceânia. Sua principal atividade era falsificar registros históricos, para que assim o passado fosse moldado de acordo com os interesses do Big Brother, o líder máximo que assumiu o poder depois de uma grande guerra.
Nas ruas da cidade fictícia, cartazes espalhados pelas ruas mostravam imagens do líder com o slogan “O Grande Irmão está de olho em você”, o que era verdade graças às “teletelas” espalhadas nas ruas e casas, que monitoravam, gravavam e espionavam a todos. Tem coisa mais “Big Brother” que isso?
“1984” é uma distopia futurista, considerada uma das obras mais influentes do século XX.
História do Big Brother Brasil
No Brasil, o Big Brother estreou em 2002, três anos após a sua criação na Holanda. A Globo comprou os direitos autorais do programa com a Endemol, e de lá para cá passou a produzir o programa na tentativa de competir com o sucesso do programa Casa dos Artistas, na época transmitido pelo SBT e que foi considerado plágio do Big Brother, uma vez que Silvio Santos não quis adquirir os direitos do programa original.
Quando o BBB1 foi ao ar, o formato e a dinâmica do programa eram completamente diferentes do que estamos acostumados a ver. A “berlinda”, na qual os participantes entravam para serem votados e sair ou não da casa, não tinha o famoso nome de “paredão”, por exemplo. Ele só foi aderido pela Globo após o participante Adriano Castro chamar assim o processo de eliminação.
O BBB1 também contou com 2 apresentadores, Pedro Bial e Marisa Orth, sendo que a atriz não chegou a concluir a edição. A temporada durou 64 dias, se classificando como a mais curta do Big Brother Brasil até hoje, e o vencedor foi Kléber Bambam.
A reinvenção do BBB
Em 2020, após alguns anos de desgaste do programa no Brasil, o Big Brother, que tem direção-geral de Boninho, se reinventou. Surpreendendo a todos, o BBB20 confinou 10 famosos (camarote) na casa mais vigiada do Brasil, que somados a mais 10 pessoas anônimas (pipoca) foram responsáveis pelo entretenimento dos brasileiros numa época difícil, de início da pandemia da Covid-19.
Comandado por Tiago Leifert, o Big Brother Brasil 20 entrou para o Guinness World Records devido ao décimo paredão da edição, que contou com Manu Gavassi, Felipe Prior e Mari Gonzelez e contabilizou mais de 1 bilhão e meio de votos. A edição é considerada a maior de todos os tempos.
De lá para cá o formato vem se repetindo. Nas edições de 2021 e 2022 o BBB também contou com pessoas famosas no confinamento, e a expectativa é que em 2023 isso também aconteça, embora mudanças já tenham sido anunciadas, como o retorno da famosa “casa de vidro”, que confina pessoas em shoppings centers, o oferecimento de mais poderes para os líderes e a mudança do valor do prêmio final.
Juliette: a queridinha do Brasil
O BBB lança pessoas anônimas direto para a fama, e isso ficou bem claro no BBB 21, quando o Brasil inteiro parou para curtir o chamado G3: Gil do Vigor, Juliette Freire e Sarah Andrade. A edição foi marcada por grandes polêmicas envolvendo pessoas famosas, como Karol Conká e Projota, mas se destacou mesmo pela amizade dos três participantes da “pipoca”, grupo de anônimos do BBB.
De queridinha, Sarah passou a ser considerada vilã por ter brigado com Juliette, deixando mais espaço para que a paraibana e Gil se destacassem. Na reta final, o Brasil inteiro parou para consagrar Juliette campeã da edição, com 90,15% dos votos, mais um recorde. A hoje cantora também chamou atenção por ter saído dos 3 mil seguidores no Instagram para mais de 20 milhões em 3 meses, tempo que durou o programa.
O Big Brother e as mídias sociais
O fenômeno Juliette abriu portas para um novo cenário envolvendo o BBB: a necessidade de os participantes da casa criarem estratégias não só dentro da casa mais vigiada do Brasil, mas também fora dela, em seus perfis nas mídias sociais. Depois de Juliette, por exemplo, os participantes passaram a divulgar seus emojis para as torcidas (Juliette usava um cacto), e os que podem chegam até mesmo a contratar equipes especializadas na Gestão de Mídias Sociais para aumentarem seu engajamento aqui fora.
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