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EJA inclui formação em tecnologia e prepara alunos para o futuro

Modalidade amplia aprendizado com capacitação digital para estudantes e educadores
EJA inclui formação em tecnologia e prepara alunos para o futuro

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil está passando por uma transformação significativa com a inclusão da formação em novas tecnologias. Agora, além de aprender a ler e escrever, os alunos terão acesso a habilidades digitais essenciais, como enviar mensagens em redes sociais, identificar golpes online, utilizar aplicativos bancários e até criar perfis em aplicativos de namoro.


Essa iniciativa faz parte do Programa de Formação de Alfabetizadores e Docentes dos Anos Iniciais do ensino fundamental, desenvolvido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Cátedra Unesco de EJA. O objetivo é garantir que os alfabetizadores estejam preparados para ensinar essas novas competências aos alunos, promovendo a inclusão digital e a cidadania plena.


Tecnologia no cotidiano dos alunos da EJA


O impacto da falta de alfabetização digital vai muito além do simples acesso à informação. Em muitas comunidades, a incapacidade de utilizar tecnologias digitais dificulta a integração plena dos indivíduos na sociedade contemporânea. Com o surgimento da internet, muitas pessoas acabam se tornando vulneráveis a golpes financeiros e crimes virtuais. Além disso, a inclusão digital se estende a aspectos da vida cotidiana, como a possibilidade de criar perfis em aplicativos de relacionamento, se conectar com familiares e amigos e até mesmo acessar serviços de saúde e educação.


Daniele Dias destaca ainda a importância de capacitar os alunos para a utilização de aplicativos bancários, uma vez que muitos não sabem como realizar transações financeiras de forma segura pela internet. "Essas pessoas precisam de orientações sobre como evitar golpes, como verificar a veracidade das informações e como se proteger no mundo digital", afirma.


O pacto EJA: superando o analfabetismo e promovendo a cidadania


O programa faz parte do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos, conhecido como Pacto EJA. Esse pacto, lançado pelo governo federal, tem como objetivo garantir a inclusão de todos os cidadãos no processo educacional, independentemente de sua idade ou histórico escolar. Com o apoio da UFPB e do MEC, o curso de capacitação está sendo oferecido para 1,3 mil formadores regionais, que atuarão como multiplicadores do conhecimento nas redes de ensino em todo o Brasil, com o objetivo de atingir professores e coordenadores de escolas.


A formação online, que começou em março de 2025, seguirá até 2026. O foco principal é equipar os educadores com as ferramentas e o conhecimento necessário para ensinar as habilidades digitais aos alunos da EJA, de forma a torná-los cidadãos plenos na sociedade digital. Com 11,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever sequer um bilhete simples, segundo dados do IBGE, a alfabetização digital se torna uma necessidade urgente para promover uma verdadeira inclusão social.


Desafios e oportunidades para a EJA


Apesar dos avanços, a EJA enfrenta desafios persistentes, como a evasão escolar e a redução de investimentos. Em 2019, a EJA contava com 3,2 milhões de estudantes, mas esse número caiu para 2,5 milhões em 2023, conforme dados do IBGE. O financiamento também sofreu uma queda significativa, passando de R$ 1,4 bilhão em 2012 para apenas R$ 38,9 milhões em 2022.


A falta de uma formação específica para os professores da EJA também é uma das dificuldades enfrentadas pelo programa. Muitas vezes, os docentes atuam na modalidade como uma carga suplementar, sem a preparação necessária para lidar com as especificidades dos alunos adultos e idosos. 


Formação e inclusão: um olhar transformador


A mudança na abordagem da EJA também está relacionada ao valor que se dá aos conhecimentos prévios dos alunos, com base na filosofia educacional de Paulo Freire. Segundo a professora Daniele Dias, é fundamental que o educador reconheça que os alunos da EJA não chegam à escola como tabulas rasas, mas trazem consigo saberes e experiências que precisam ser valorizados. "Esses alunos são protagonistas da sua própria aprendizagem e têm o poder de transformar suas vidas a partir do conhecimento que adquirem na escola", afirma.


Essa abordagem tem sido um ponto de destaque nas escolas que já implementaram a formação de professores para a EJA. Luzia Nadja Carneiro, formadora da Paraíba, relata que, em sua escola, a EJA tem proporcionado uma mudança significativa na vida dos alunos. "É emocionante ver como o conhecimento transforma a vida deles. Muitos chegaram sem saber ler ou escrever, e agora estão escrevendo suas próprias histórias", diz. Essa perspectiva é vista como uma forma de dar aos alunos da EJA o poder de reconstruir sua trajetória e alcançar uma cidadania plena.


Impacto social e econômico da EJA


De acordo com Zara Figueiredo, secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, a educação de jovens e adultos não só é essencial para a cidadania, mas também para a economia e para a democracia. "A alfabetização é absolutamente necessária e inegociável. Sem ela, não há como alcançar o retorno econômico e social que buscamos para o país", afirma. Com o avanço das tecnologias e a digitalização da sociedade, a alfabetização digital se torna um elemento crucial para a construção de um futuro mais justo e inclusivo para todos.


Com essas iniciativas, a EJA está se consolidando como uma ferramenta poderosa para transformar a vida de milhares de brasileiros, garantindo que, independentemente da idade ou das circunstâncias, todos tenham a oportunidade de aprender, crescer e contribuir ativamente para a sociedade.


Veja também: Tudo sobre EJA: o que é e como funciona?


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Fonte: Agência Brasil

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