Quem acessou hoje (11) o site do Google deve ter percebido a figura de Maria Firmina dos Reis no doodle da empresa. A homenagem da gingante da tecnologia é mais do que merecida: Maria Firmina é considerada a primeira mulher a publicar um romance no país. Além disso, a sua obra é considerada a primeira a se posicionar de forma contrária à escravidão. Mulher, negra e professora, a autora nordestina conseguiu se inserir na literatura nacional, apesar do silenciamento da sua obra.
Quem foi Maria Firmina dos Reis?
Nascida em São Luís do Maranhão, Maria Firmina (1822 – 1917) é filha de mãe branca e pai negro. Ficou órfã aos cinco anos e foi morar com a tia materna. Esse momento foi crucial para a sua formação, visto que a tia possuía mais condições financeiras, fato que permitiu investir em sua educação. Aos vinte e cinco anos vencia o concurso público para a Cadeira de Instrução Primária na cidade de Guimarães-MA e passa a exercer a profissão de professora.
No campo educacional, destacou-se por fundar uma escola mista (para meninos e meninas) e totalmente gratuita, a primeira do seu estado. Devido ao alvoroço causado na sociedade da época, a escola durou apenas três anos. Em 1860 lança o seu primeiro romance, Úrsula. Nele a autora lança as suas ideias contra a escravidão e dá voz aos personagens escravizados, além de mostrar a crueldade da elite da época.
Obra de Maria Firmina dos Reis
O cargo de professora concedeu certo respeito a Maria Firmina. Mesmo na condição de mulher, negra e solteira, que conseguia se sustentar com o próprio salário, ela teve uma presença marcante na produção literária do Maranhão. Contribuiu com publicações de poesia, crônicas, contos e ficção em jornais e revistas da época. Chegou até mesmo a compor um hino abolicionista.
Apesar dos seus feitos, Maria Firmina não escapou do silenciamento da sua obra. Ela falava sobre questões que incomodavam a elite. Por isso, muito do seu trabalho ainda é desconhecido. Aos poucos, a sua história e obra têm sido resgatadas, aproximando os brasileiros dessa grandiosa figura histórica.
*com informações de revista Cult e Portal Letras UFMG

