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MEC lança programa de ensino da democracia nas escolas

Iniciativa busca fortalecer cidadania nas escolas com apoio de mais de 120 instituições
MEC lança programa de ensino da democracia nas escolas

O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta-feira (17) a Portaria nº 642, que institui o Programa Educação para a Cidadania e para a Sustentabilidade. A medida estabelece a inserção oficial do ensino da democracia nas salas de aula brasileiras e busca formar uma geração de estudantes mais consciente de seus direitos e deveres.


O anúncio acontece em um momento de forte polarização política e a pouco mais de um ano das eleições presidenciais. A expectativa é que o programa alcance 1 milhão de alunos por ano, com adesão voluntária de estados e municípios.


Objetivos do programa


De acordo com o MEC, a proposta é desenvolver competências para que crianças e adolescentes participem da vida social de forma autônoma, responsável e solidária. A iniciativa pretende contribuir para que os alunos compreendam a Constituição Federal, os fundamentos do Estado democrático de direito e o funcionamento dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.


Além disso, os estudantes deverão refletir sobre temas do cotidiano democrático, como a participação social na construção de políticas públicas, o pluralismo de ideias e a valorização da diversidade.


Estrutura e implementação


Para apoiar as redes de ensino, o MEC criará uma Matriz Nacional de Saberes em educação cidadã, que servirá como referência para currículos, materiais didáticos e formação de professores. Estados e municípios que aderirem ao programa precisarão indicar responsáveis locais para coordenar as ações.


O financiamento virá de recursos da Lei Orçamentária Anual, e haverá ainda um plano de monitoramento e avaliação com pesquisas bianuais para acompanhar os resultados. Entre as metas está a capacitação de educadores, um ponto considerado fundamental para que o ensino da democracia seja conduzido sem viés ideológico, respeitando a diversidade política e cultural do país.


Apoio institucional e inspiração internacional


O programa foi apresentado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Controladoria-Geral da União (CGU) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Sua origem está na mobilização de 120 entidades da sociedade civil, reunidas na Rede Nacional de Educação Cidadã (Rede NEC). O modelo também se inspira em políticas consolidadas em países como França, Reino Unido e Alemanha, que possuem órgãos específicos para promover a educação democrática.


Na Alemanha, por exemplo, uma agência federal criada em 1952 atua de forma independente e conta com orçamento próprio. Já a França mantém, dentro do Ministério da Educação, uma diretoria voltada exclusivamente à cidadania e à democracia.


O desafio de educar sem doutrinar


Um dos principais debates em torno da iniciativa é a diferença entre educar para a democracia e doutrinar politicamente. Segundo a Rede NEC, o programa busca oferecer ferramentas de participação, sem impor ideologias. A educação cidadã envolve competências amplas, como:


• combate à desinformação e ética digital;

• enfrentamento da violência doméstica e de gênero;

• promoção da sustentabilidade e do respeito ao meio ambiente;

• fortalecimento da cultura de diálogo e tolerância.


A proposta é mostrar que democracia não se limita a eleições, mas se expressa no cotidiano social, em temas que impactam diretamente a vida da população.


Experiências no Brasil


Embora seja inédito como política nacional, o Brasil já possui iniciativas ligadas à educação cidadã.


• CGU: desde 2007, coordena projetos de integridade pública em escolas, que já envolveram 6,3 milhões de estudantes.


• AMB: com o programa Cidadania e Justiça também se aprendem na escola, iniciado em 1993, já alcançou 7 milhões de alunos, levando juízes a escolas, promovendo visitas a tribunais e produzindo materiais didáticos.


• TREs: cedem urnas eletrônicas fora de uso para atividades pedagógicas, aproximando estudantes do processo eleitoral.

Essas experiências mostram a viabilidade da proposta e servirão de base para a expansão coordenada pelo MEC.


Brasil em alerta após resultado internacional


A urgência do tema foi reforçada em 2022, quando o Brasil participou pela primeira vez do International Civic and Citizenship Study (ICCS), o maior estudo internacional sobre educação cívica. O resultado foi preocupante: entre 22 países, o Brasil ficou em último lugar no preparo de alunos do 8º ano para exercer a cidadania em um mundo globalizado. Especialistas apontam que esse cenário é reflexo da fragilidade da cultura democrática no país e da ausência de uma política estruturada de educação para a cidadania.


Um passo para o futuro


A criação do programa também dialoga com a própria Constituição Federal de 1988, que define a formação cidadã como um dos objetivos da educação, e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que reforça o papel da escola na preparação para o exercício da cidadania.


Ao consolidar uma política nacional, o MEC busca garantir que o ensino da democracia não seja tratado de forma pontual ou secundária diante de outros desafios da educação básica, como infraestrutura precária e valorização docente.


Veja também: Das Greves às Reformas: como os estudantes influenciaram a história do Brasil?


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Fonte: G1

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