Mulheres no Afeganistão estão impedidas de frequentar universidades públicas e privadas afegãs desde a última terça-feira (20), após o Ministério do Ensino Superior do Afeganistão, administrado pelo Talibã, instruir as instituições de ensino a barrarem a entrada de pessoas do sexo feminino.
Tal anúncio não teve reconhecimento internacional e a decisão provocou condenação dos Estados Unidos, Reino Unido e da ONU. Para os governos estrangeiros, ainda é necessário haver uma mudança nas políticas de
educação das mulheres antes de considerar o reconhecimento formal do
governo do Talibã.
O anúncio do governo do Talibã ocorreu no momento em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (
ONU) se reunia em Nova York para discutir a situação do Afeganistão. Para o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, a medida foi “claramente outra promessa quebrada do Talibã”.
Veja o que dizem representantes da ONU sobre o assunto:
“O Talibã não pode esperar ser um membro legítimo da comunidade internacional até que respeite os direitos de todos os afegãos, especialmente os direitos humanos e a liberdade fundamental de mulheres e meninas”, disse o vice-embaixador dos EUA na ONU, Robert Wood.
"Essa situação é outra restrição flagrante dos direitos das
mulheres e uma profunda decepção para todas as alunas”, disse a embaixadora do Reino Unido na ONU, Barbara Woodward.
Por que mulheres estão proibidas de estudar no Afeganistão?
Em 22 de março deste ano, centenas de meninas com mais de 12 anos foram mandadas de volta para as casas quando tentaram iniciar os estudos no ano letivo de 2022, em medida anunciada pelo Ministério da Educação do Talibã.
Apesar do impedimento, o governo do país havia prometido que a
educação de meninas estaria garantida e haveria
escolas específicas para o ensino dessas alunas. No entanto, a decisão foi anulada pelo Talibã, que controla o Afeganistão desde agosto de 2021, que ordenou que as escolas permaneçam fechadas até um segundo aviso.
Os motivos para a decisão, segundo pesquisadores, foram causados por conflitos internos do próprio Governo do Talibã. Em anúncio oficial, o governo informou que as estudantes devem aguardar um novo plano para a educação de mulheres, que será montado de acordo com “tradição e cultura da Sharia e afegã”.
Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, “a negação da educação não apenas viola os direitos iguais de mulheres e meninas à educação, mas também põe em risco o futuro do país, em vista das enormes contribuições de mulheres e meninas afegãs”.
Importância da educação
Segundo a Organização das Nações Unidas, “a educação fundamental deve ser universal, garantir a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem de todas as crianças, e levar em consideração a cultura, as necessidades e as possibilidades da comunidade”.
Em setembro deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que a educação é "transformadora de vidas, economias e sociedades", sendo também o “investimento mais importante que qualquer país pode fazer”.
Na ocasião, Guterres alertou que cerca de 70% das crianças de 10 anos em países pobres são incapazes de ler um texto básico, e enfatizou que as nações desenvolvidas padecem de problemas, onde os “sistemas educacionais geralmente consolidam, em vez de reduzir, as desigualdades, reproduzindo-as através das gerações”.
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*Com informações de CNN, Estudar Fora e ONU