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Função Poética

Postado por Lohana Ribeiro em 22/01/2019

É a função da linguagem que dedica-se à mensagem


A Função Poética, também conhecida como estética, é a função da linguagem que tem como objetivo  valorizar a mensagem, da forma que ela está sendo transmitida.

A função poética é uma das seis funções da linguagem definidas pelo linguista Roman Jakobson, onde cada uma delas deve abordar os diferentes elementos da comunicação, que são: 

• Emissor (quem fala).
• Receptor (com quem se fala).
• Mensagem (o que se fala).
• Referente ou Contexto (assunto da mensagem).
• Canal ou Contato (veículo da mensagem).
• Código (sistema de linguagem). 


A Função Poética está presente na capa do livro: 
a Calopsia: Matiné. (Foto: Intergalacticrobot)

Funções da linguagem


Além da função poética existem mais cinco funções de linguagem. Também vale lembrar que, em um mesmo texto, pode haver várias funções de linguagem. Sendo assim, é preciso identificar qual a função predominante. Saiba quais são as demais funções de linguagem:

• Função Emotiva ou Expressiva


É comum a comparação entre a função poética e a função emotiva, no entanto, a principal diferença entre elas é que a poética trabalha a mensagem e a emotiva destaca o emissor. 

Os textos na função emotiva são tratados na 1ª pessoa do singular, fala dos seus sentimentos, dos seus desejos, ou seja, apenas sobre si.

É comum perceber nesse tipo de função a presença de interjeições, reticências e pontos de exclamação.

Exemplo: 

Música: Senhas – Cantora: Adriana Calcanhotto
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto.
• Função Apelativa ou Conativa ou Imperativa

Na função conativa o foco é o receptor. Tem como principal característica o tom imperativo com a intenção de convencimento. Esse recurso é comum nas propagandas, em pregações e até em palestras. Comunica-se utilizando a 2ª pessoa do discurso (tu/você, vós/vocês)

Exemplo: 
Vem pra Caixa você também, vem!"
Compre batom, compre batom, seu filho merece batom.

• Função Referencial, Denotativa, Informativa ou Cognitiva

Tem a função de transmitir a informação de forma objetiva. Tem o foco no referente da mensagem. A função referencial é comum nos textos jornalísticos, científico e didáticos. Esse tipo de texto coloca em evidência o referente, ou seja, o assunto ao qual a mensagem se refere. 

Exemplo:

Há mais de 15 anos tendo como objetivo proporcionar uma formação completa e de qualidade para estudantes brasileiros, o programa Educa Mais Brasil oferece mais de 700 mil bolsas de estudo em todo o País, em mais de 25 mil instituições parceiras priorizando aqueles que não possuem condições financeiras para arcar com 100% da mensalidade.

• Função Fática

A função fática tem como objetivo o foco no canal, buscando manter ou interromper uma comunicação. Neste tipo de função, o mais importante não é o que fala e nem quem fala, mas estabelecer o contato entre o emissor e o receptor, ou seja, o que está ocorrendo.

Esta função está presente em comunicações do cotidiano como fala, saudações: Alô! Tudo bem? Tchau! 

Além disso, pode apresentar-se em trechos de músicas com é o exemplo da canção Baby alô (Oi Nego) interpretada pelo cantor Devinho Novaes.

Exemplo: 
Baby alô
(Oi nego)
Tudo bem contigo?
(Tudo bem)
Só liguei perguntar se foi divertido
(Divertido?)
Me trair
(Eu nunca te trai).
• Função Metalinguística

A função metalinguística preocupa-se com o código. É característico quando o código torna-se objeto de análise dele mesmo. São os casos dos pintores que fazem o seu autorretrato ou dos compositores que fazem uma composição retratando a sua própria história.

Os gêneros textuais que contam com a linguagem metalinguística são mais variados como o verbete de dicionário, poema, roteiro ou romance.

A função é encontrada em verbos no modo imperativo, verbos e pronomes na segunda ou terceira pessoa, na tentativa de convencer o receptor a ter um determinado comportamento. Tem presença predominante em textos de publicidade e propaganda.

Características da Função Poética


No função poética o objeto exaltado é a palavra, ela deve ser trabalhada e comunicada de uma forma interessante para que o leitor seja atraído. Estre as suas principais características é possível citar:

• Palavras com uma função estética.
• Utilização do sentido figurado ou conotativo.
• Utilização de textos bem elaborados. 
• Presença das figuras de linguagem como a metáfora. 
• Proporciona uma subjetividade ao texto.
• Busca surpreender, fugir do comum.
• São facilmente encontradas na literatura, na poesia, na música e na publicidade.



Função Poética na Poesia

A forma mais comum de encontrarmos a função poética é na poesia, nas prosas, nos poemas ou até em trechos de livros. Um dos poemas clássicos desse gênero são as peças feitas pelo publicitário e poeta Décio Pignatari.

Exemplos: 
COCA-COLA
B E B A C O C A C O L A
B A B E C O L A
B E B A C O C A
B A B E C O L A C A C O
C A C O
C O L A
C L O A C A


RA TERRA TER
RAT ERRA TER
RATE RRA TER
RATER RA TER
RATERR A TER
RATERRA TERR
ARATERRA TER
RARATERRA TE
RRARATERRA T
ERRARATERRA
TERRARATERRA

Função Poética na Publicidade 


Essa função não é comum apenas nas artes, mas também pode ser encontrada nos textos em prosa, ditados, slogans, anúncios publicitários, etc.

Pode-se tomar como exemplo o anúncio do medicamento Doril. Nele há um slogan feito em rimas e com a construção de uma estética por meio da assimetria das letras. 

Exemplo: 

Tomou Doril, a dor sumiu.

Função Poética na Música 


Assim como em outras artes, a função poética está presente na música principalmente na função estética causada pelas rimas. Este é o caso da música Futuros amantes de Chico Buarque de Holanda.

Exemplo:
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você.

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