O Dia Nacional do Jornalista é celebrado em 7 de abril. A data foi instituída pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em homenagem ao médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, assassinado em 1830 por denunciar abusos do poder imperial. Sua morte se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e pela imprensa independente, valores que, quase dois séculos depois, seguem mais relevantes do que nunca.
Com a proliferação de fake news e a ascensão da Inteligência Artificial (IA), a função do jornalista de buscar fatos, checar informações e traduzir temas complexos para a linguagem cotidiana ganha novos contornos e desafios. Entre eles, o avanço acelerado da IA generativa e sua crescente presença nas redações, o que vem gerando debates acalorados, não apenas entre profissionais da área, mas também entre os próprios consumidores de notícias.
A presença da IA no jornalismo
Nos últimos dois anos, a IA generativa evoluiu rapidamente, com ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras se popularizando. O setor jornalístico foi diretamente impactado por essa revolução, com redações utilizando algoritmos para agilizar tarefas, gerar conteúdos, selecionar imagens e até escrever manchetes. Um relatório recente do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, baseado em entrevistas e pesquisas em sete países, revela uma forte ambivalência por parte do público quanto ao uso da IA na produção de notícias.
Apenas 25% dos leitores afirmaram acreditar que já encontraram conteúdos jornalísticos gerados com a ajuda de IA, o que sugere uma possível falta de transparência por parte dos veículos de mídia. Mais do que isso: a maioria das pessoas não se sente confortável com a ideia de consumir notícias produzidas por máquinas, especialmente quando se trata de temas sensíveis como política, saúde ou crises humanitárias.
IA no Jornalismo: o que o público aceita e o que rejeita
O estudo mostra que há mais aceitação do uso da IA em tarefas de bastidores, como a transcrição de entrevistas, organização de dados e edição de imagens. Essas aplicações são vistas como formas de aumentar a eficiência do trabalho jornalístico, sem interferir diretamente no conteúdo. No entanto, quando a IA é usada para escrever artigos completos, criar avatares ou gerar narrativas fictícias, o público expressa grande desconforto. Isso é ainda mais acentuado quando os temas abordados exigem sensibilidade humana, como conflitos armados, eleições ou direitos civis.
Nos Estados Unidos, por exemplo, 52% dos entrevistados disseram não se sentir à vontade com notícias majoritariamente criadas por IA. No Reino Unido, esse número sobe para 63%. A preocupação com notícias falsas online também aumentou: 59% dos entrevistados globais dizem estar preocupados com a desinformação, número que chega a 81% na África do Sul e 72% nos EUA, dois países que enfrentam importantes eleições este ano. Esses dados mostram que, embora a IA tenha potencial para auxiliar o jornalismo, sua aplicação precisa ser transparente, ética e supervisionada por humanos.
A confiança cresce com o uso pessoal da IA
O relatório também aponta que a confiança nas ferramentas de IA tende a aumentar entre aqueles que já as utilizam em seu dia a dia, como em videoconferências, legendas automáticas ou assistentes virtuais. Para esse público mais habituado, a presença da inteligência artificial nas redações parece menos ameaçadora. Ainda assim, há um consenso de que a IA deve complementar o trabalho humano, e não o substituir. O papel do jornalista de investigar, analisar e transmitir os fatos com responsabilidade continua sendo insubstituível.
A batalha contra as fake news e os riscos da automação
O uso irresponsável da IA pode levar à erosão da confiança no jornalismo profissional, o que já vem sendo observado nas redes sociais. Em plataformas como o TikTok, por exemplo, os influenciadores de notícias têm ganhado mais atenção do público jovem do que os próprios veículos de imprensa. Uma pesquisa feita com 5.600 usuários da rede social revelou que 57% preferem seguir personalidades individuais, enquanto apenas 34% acompanham jornalistas ou marcas noticiosas tradicionais.
Esse cenário reforça a importância de políticas claras e públicas sobre o uso de IA pelas redações, para que o público saiba quando está consumindo um conteúdo gerado ou editado por algoritmos. Transparência é a palavra-chave.
O jornalismo como missão social
Apesar dos desafios, o jornalismo segue como uma profissão essencial à democracia e à liberdade de expressão. Desde os primeiros passos da imprensa no Brasil, com o Correio Braziliense criado em 1808 por Hipólito da Costa em Londres, até os dias atuais, a função do jornalista sempre foi a de questionar o poder, dar voz aos excluídos e informar com responsabilidade.
Ao longo dos séculos, a profissão evoluiu. No início, jornalistas brasileiros eram, em sua maioria, médicos, advogados ou escritores, sem formação específica. O primeiro curso de Jornalismo só surgiu em 1947, na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. A obrigatoriedade do diploma veio em 1969 e foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, reacendendo debates sobre a regulamentação da profissão e os critérios para o exercício do jornalismo.
Um futuro com IA e com jornalistas
No Dia do Jornalista, é preciso refletir sobre o papel da tecnologia na comunicação e como ela pode ser usada a favor do bom jornalismo. A IA não deve ser encarada como inimiga, mas como uma ferramenta de apoio que pode facilitar o dia a dia das redações, desde que usada com responsabilidade, transparência e supervisão humana.
A sociedade, por sua vez, tem um papel fundamental: valorizar o jornalismo profissional, apoiar veículos comprometidos com a verdade e exigir clareza sobre como as notícias são produzidas. Afinal, em tempos de incertezas e sobrecarga de informações, é o jornalismo ético e bem-feito que continua a ser o farol em meio à escuridão da desinformação.
Leia também: Networking para jornalistas: como usar as redes sociais a seu favor
Faça graduação em jornalismo com bolsa de estudo!
O Educa Mais Brasil oferece uma excelente oportunidade para quem deseja cursar Jornalismo, tanto na modalidade presencial quanto EAD. Com bolsas de estudo de até 85%, o programa visa facilitar o acesso ao ensino superior, ajudando a transformar o sonho de se tornar jornalista em realidade.
Seja para quem busca uma formação tradicional em sala de aula ou para quem prefere a flexibilidade do ensino a distância, o Educa Mais Brasil tem opções que atendem às suas necessidades. Não deixe essa chance passar! Inscreva-se agora e conquiste sua bolsa de estudo para o curso de Jornalismo. Aproveite a oportunidade de estudar com qualidade e sem pesar no bolso. Acesse o site e saiba mais!

