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CARREIRA

Medo de perder o emprego para a IA afeta saúde mental de trabalhadores

Pesquisa aponta que 17% dos brasileiros temem ser substituídos por inteligência artificial
Medo de perder o emprego para a IA afeta saúde mental de trabalhadores

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está remodelando o mundo do trabalho, mas também está provocando um efeito colateral cada vez mais evidente: o medo de ser substituído. Essa preocupação tem impactado diretamente a saúde mental dos trabalhadores, especialmente no Brasil, onde o sentimento de insegurança frente à automação cresce a cada pesquisa.


Segundo levantamento da NordVPN, 17% dos brasileiros já temem perder o emprego por causa da IA. Outros 27% acham que a tecnologia está evoluindo rápido demais. Esses números ganham ainda mais peso diante do estudo da Michael Page, que mostra que 60% dos profissionais brasileiros se preocupam com o impacto da IA nas suas carreiras, um índice superior à média global (52%) e à da América Latina (50%).


Ansiedade, insegurança e queda de produtividade


O receio de ser substituído por máquinas afeta diretamente o bem-estar dos colaboradores. Sintomas como ansiedade, estresse, ruminação e insônia têm sido relatados com mais frequência, especialmente entre profissionais de áreas administrativas, financeiras e de atendimento, onde a automação já é mais presente.


Esse medo também contribui para a queda do engajamento, aumento do absenteísmo e isolamento dentro das equipes. A percepção de obsolescência coloca o trabalhador em posição de insegurança, reduzindo sua participação ativa nos processos e enfraquecendo os laços com a equipe e com a liderança.


A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que 37 milhões de brasileiros estão em profissões sob risco de impacto direto da IA generativa, sendo as mulheres o grupo mais vulnerável. Mesmo com previsões indicando que apenas 2% a 5% dos empregos seriam diretamente eliminados, o temor permanece alto.


Falta de preparo e comunicação agravam o cenário


Grande parte dessa crise de confiança também está relacionada à forma como as empresas estão conduzindo a transformação digital. Muitas organizações têm adotado soluções de IA sem preparar ou envolver seus colaboradores no processo. A ausência de diálogo e transparência gera sensação de exclusão, acentuando a insegurança.


A pesquisa da MindMiners reforça esse cenário: 33% dos brasileiros têm medo de perder o emprego para a IA, e apenas 54% reconhecem os benefícios da tecnologia na produtividade. Ao mesmo tempo, 35% dos entrevistados estão buscando se capacitar para lidar com a IA no trabalho, o que demonstra uma disposição de adaptação, mas ainda com pouco apoio institucional.


O que as empresas podem (e devem) fazer


Diante desse cenário, especialistas em gestão de pessoas e saúde mental alertam: é preciso adotar uma abordagem humana e estratégica para enfrentar o medo da IA. Algumas medidas recomendadas incluem:


• Comunicação clara: explicar aos colaboradores como a IA será usada, reforçando que a tecnologia pode apoiar e não substituir o trabalho humano.

• Engajamento ativo: envolver os times no desenvolvimento, teste e aplicação de soluções com IA fortalece o sentimento de pertencimento.

• Capacitação contínua: investir em habilidades humanas como pensamento crítico, criatividade e inteligência emocional, competências que seguem sendo insubstituíveis.

• Apoio à saúde mental: oferecer suporte emocional, treinamentos de resiliência e programas de bem-estar é essencial. A nova NR 1 já recomenda atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.


Exemplos como Microsoft e Google mostram que é possível transformar o desafio em oportunidade. Enquanto a Microsoft incentiva seus funcionários a participarem de testes e inovações com IA, o Google mantém um modelo que permite aos engenheiros desenvolverem projetos pessoais alinhados à empresa, promovendo uma cultura de inovação contínua e colaborativa.


Caminho possível: IA com humanos, não contra eles


Embora a IA represente uma mudança profunda no mundo do trabalho, os dados também apontam para oportunidades. O Fórum Econômico Mundial prevê que, até 2025, 85 milhões de vagas poderão ser afetadas pela automação, mas 97 milhões de novos empregos surgirão, em áreas que exigem justamente habilidades humanas.


O Brasil lidera o uso de IA na América Latina: 37% dos trabalhadores já utilizam alguma forma de inteligência artificial em suas atividades, acima da média regional de 28%. Essa familiaridade crescente pode ser um trunfo, desde que acompanhada de ações efetivas para garantir que a tecnologia esteja a serviço do bem-estar humano.


Mais do que substituir pessoas, a IA deve ser usada para liberar os trabalhadores de tarefas repetitivas, permitindo que se concentrem em atividades mais estratégicas e criativas. Para isso, o papel das empresas é fundamental: criar ambientes onde a inovação tecnológica ande de mãos dadas com o respeito à saúde mental e à dignidade do trabalho humano.



Leia também: Inteligência Artificial: realidade em apenas 20% das empresas brasileiras


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Fonte: Correio Braziliense e CONEXperience Psicologia

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