Até pouco tempo, oferecer um bom salário era uma das principais formas de manter profissionais qualificados na empresa. Hoje, essa estratégia continua importante, mas já não garante que os melhores talentos permaneçam por muito tempo.
As prioridades dos trabalhadores mudaram. Flexibilidade, oportunidades de crescimento, qualidade da liderança e equilíbrio entre vida pessoal e profissional passaram a influenciar tanto quanto a remuneração. Para muitas empresas, o desafio deixou de ser apenas contratar bem. O foco agora é criar condições para que as pessoas queiram continuar.
Salário continua importante, mas não decide sozinho
A remuneração segue sendo um dos principais critérios na hora de aceitar uma vaga. Levantamento State of Data 2026, realizado em parceria com a Bain & Company com 3.200 profissionais da área de dados, mostra que 83,4% dos entrevistados consideram o salário o fator mais importante na escolha de uma empresa.
Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia que outros aspectos ganharam espaço. A flexibilidade foi citada por 56,6% dos participantes e 71,6% afirmaram que procurariam outro emprego caso a empresa voltasse ao modelo totalmente presencial.
Os números mostram uma mudança clara: o salário continua pesando na decisão, mas já não compensa sozinho a perda de autonomia ou de qualidade de vida.
O que faz um profissional permanecer?
Se antes o contracheque era o principal argumento para reter talentos, hoje a análise é mais ampla. Além da remuneração, profissionais levam em conta a possibilidade de trabalhar em um modelo híbrido, o ambiente da empresa, a relação com os gestores, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e as oportunidades de desenvolvimento.
Pesquisas da Gallup mostram que cerca de 60% dos trabalhadores preferem modelos híbridos. Já estudos do Gartner apontam que a flexibilidade deixou de ser um benefício complementar e passou a integrar as principais estratégias de retenção nas empresas. Na prática, o que está em jogo é a experiência de trabalho como um todo.
A liderança pesa mais do que parece
Outro aspecto que influencia diretamente a permanência dos profissionais é a qualidade da liderança.
Segundo pesquisa da Hogan Assessments, 72% dos trabalhadores brasileiros valorizam gestores que mantêm uma comunicação clara e respeitosa. Aprendizado contínuo, colaboração e um ambiente de confiança também aparecem entre as características mais valorizadas.
Isso ajuda a explicar por que empresas com salários competitivos ainda enfrentam dificuldades para reter equipes. Quando a rotina é marcada por falta de reconhecimento, comunicação ruim ou excesso de pressão, o salário deixa de ser suficiente para compensar o desgaste.
Crescimento faz diferença
As perspectivas de carreira também ganharam peso. No levantamento da Bain, 67,1% dos profissionais da área de dados afirmam que a falta de oportunidades de crescimento e aprendizado é o principal motivo de insatisfação.
O percentual é bem superior ao dos que apontam remuneração abaixo do mercado como principal problema. Entre os profissionais mais jovens, a tendência é semelhante.
Pesquisa do Nube mostra que muitos preferem aprofundar conhecimentos técnicos a seguir uma trajetória de liderança, sinalizando que desenvolvimento profissional nem sempre está ligado à gestão de equipes.
Mercado continua aquecido
Mesmo empregados, muitos profissionais continuam acompanhando novas oportunidades. Segundo o estudo Talent Trends 2026, da Michael Page, 78% dos brasileiros pretendem mudar de empresa nos próximos três anos, enquanto 43% pensam em fazer essa mudança já nos próximos 12 meses.
O levantamento da Bain mostra um comportamento parecido: mais da metade dos entrevistados participou de processos seletivos recentemente, embora poucos tenham efetivamente trocado de emprego.
Isso indica que a permanência deixou de ser automática. Muitos profissionais continuam satisfeitos em seus cargos, mas permanecem atentos ao mercado e dispostos a mudar quando encontram melhores perspectivas de crescimento, qualidade de vida ou desenvolvimento.
Reter talentos exige uma estratégia mais ampla
O cenário mostra que oferecer bons salários continua sendo fundamental, mas já não basta para garantir a permanência dos melhores profissionais.
Empresas que investem em desenvolvimento, flexibilidade, liderança preparada, reconhecimento e um ambiente de trabalho saudável tendem a criar vínculos mais duradouros com suas equipes.
Em um mercado onde os profissionais têm mais opções e revisam constantemente seus planos de carreira, reter talentos passou a depender menos de quanto a empresa paga e mais da experiência que ela é capaz de oferecer no dia a dia.
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Bolsas de estudo podem ajudar na qualificação profissional
Para quem deseja ingressar em uma dessas áreas ou buscar melhores oportunidades no mercado de trabalho, investir em qualificação pode fazer a diferença. Cursos técnicos, de graduação e pós-graduação ampliam as chances de empregabilidade e crescimento na carreira.
Programas de bolsas de estudo, como o Educa Mais Brasil, oferecem descontos de até 85% em diversas instituições de ensino do país, tornando o acesso à educação mais acessível para estudantes e profissionais que desejam se capacitar e acompanhar as novas demandas do mercado de trabalho.

