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Sharenting: os perigos ocultos de expor crianças nas redes sociais

Estudos alertam para impactos na saúde mental. Saiba como proteger a privacidade dos pequenos!
Sharenting: os perigos ocultos de expor crianças nas redes sociais

O termo "sharenting", que combina "share" (compartilhar) e "parenting" (cuidado parental), descreve o comportamento de compartilhar as fotos e vídeos de filhos nas redes sociais. Embora seja motivado pela intenção de dividir momentos felizes, o sharenting levanta preocupações sobre a privacidade, segurança e bem-estar das crianças. A prática vai desde o simples compartilhamento de marcos infantis até a criação de perfis dedicados exclusivamente aos filhos.


Um estudo da Security.org revelou que 29% dos pais nunca pedem permissão antes de postar imagens dos filhos, o que coloca em risco o consentimento e a privacidade das crianças, especialmente conforme elas crescem e entendem melhor o mundo digital. Quer saber mais sobre o assunto? Continue a leitura e confira!


Quais são os riscos da exposição das crianças no meio digital?


O principal risco associado ao sharenting é a falta de consentimento. As crianças não têm capacidade para decidir sobre a exposição de suas imagens e, muitas vezes, são colocadas em situações em que sua privacidade é comprometida sem seu conhecimento ou consentimento. Uma vez postadas, essas imagens ficam permanentemente disponíveis na internet, podendo ser visualizadas por qualquer pessoa, a qualquer momento. 


O fato de as fotos estarem online as torna vulneráveis a manipulações, disseminação em sites não confiáveis ou até mesmo ao roubo de identidade. A exposição constante de crianças nas redes sociais também aumenta o risco de cyberbullying. Quando as imagens dos pequenos são compartilhadas com muitas pessoas, a possibilidade de comentários maldosos e críticas negativas se torna uma preocupação constante. Essas interações podem afetar o bem-estar emocional da criança, contribuindo para o desenvolvimento de baixa autoestima, ansiedade e outros problemas relacionados à saúde mental.


Outro aspecto preocupante do sharenting é a criação de uma "pegada digital" permanente. Isso significa que as imagens postadas quando a criança ainda é pequena podem acompanhá-la ao longo de toda a sua vida. Ao atingir a adolescência ou a vida adulta, essas imagens podem ser facilmente encontradas por empregadores, colegas de escola ou qualquer outra pessoa com acesso à internet, potencialmente afetando a vida pessoal e profissional da criança, especialmente se as fotos ou vídeos forem comprometedores de alguma forma.


O sharenting no mundo das celebridades e influenciadores


A prática do sharenting tem sido amplificada por celebridades, influenciadores digitais e outros indivíduos com grandes audiências nas redes sociais. Filhos de figuras públicas, como artistas e influencers, são muitas vezes apresentados ao público antes mesmo de nascerem. Isso ocorre porque, frequentemente, os pais dessas crianças buscam aumentar sua visibilidade nas redes sociais compartilhando detalhes íntimos da vida familiar, incluindo gestação, nascimento e o crescimento dos filhos. 


A linha entre o desejo de compartilhar momentos familiares e a exploração da imagem da criança é tênue e muitas vezes invisível para os pais, especialmente quando o incentivo financeiro está envolvido.


O impacto na saúde mental das crianças


Além dos riscos de segurança, o sharenting também pode afetar o desenvolvimento psicossocial das crianças. A exposição constante pode resultar em um impacto significativo na saúde mental dos pequenos, principalmente no que diz respeito à sua identidade e autoestima. Quando as crianças são expostas na internet, elas podem sentir que sua privacidade não é respeitada, o que pode gerar sentimentos de desrespeito, vergonha ou desconforto.


A preocupação com fraudes de identidade


Outro risco grave relacionado ao sharenting é o uso indevido das imagens e dados pessoais das crianças para a prática de fraudes. Um estudo realizado pela instituição Barclays prevê que, até 2030, o sharenting será responsável por dois terços das fraudes relacionadas à identidade, causando prejuízos significativos, cerca de 667 milhões de libras por ano. 


Quando as fotos de uma criança são postadas online, elas podem ser usadas por criminosos para criar perfis falsos e, posteriormente, realizar golpes financeiros. Diante disso, especialistas em segurança digital recomendam que os pais se atentem às configurações de privacidade de suas redes sociais e evitem compartilhar informações detalhadas, como localização, nome completo ou outros dados sensíveis.


Como proteger a privacidade das crianças nas redes sociais?


Para garantir a segurança e a privacidade das crianças, é fundamental que os pais adotem medidas de precaução ao compartilhar fotos e vídeos online. Uma das recomendações é manter as configurações de privacidade das redes sociais ajustadas de forma rigorosa, tornando os perfis privados e limitando o acesso ao conteúdo apenas para pessoas de confiança.


Evitar a criação de perfis dedicados exclusivamente aos filhos também é uma boa prática, pois isso pode limitar a exposição. As fotos compartilhadas devem ser cuidadosamente selecionadas, optando por imagens mais genéricas que não exponham tanto a criança, como fotos de família ou momentos em grupo, ao invés de close-ups ou imagens de situações íntimas.


O papel da lei na proteção da criança


A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) têm estabelecido diretrizes que visam proteger a imagem e a identidade das crianças. A LGPD, por exemplo, determina que o tratamento de dados pessoais de crianças deve ser realizado em seu melhor interesse, garantindo sua privacidade e proteção contra abusos. O ECA também reforça o direito da criança à preservação de sua imagem, vedando a exposição sem seu consentimento.



Leia também: Cresce o uso de internet e celulares entre crianças no Brasil


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Fonte: Folha PE e Estadão

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