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ESCOLAS

Slam leva poesia, expressão e literatura para dentro das escolas

Batalhas de versos estimulam crianças e jovens a criar, refletir e ocupar espaços de fala
Slam leva poesia, expressão e literatura para dentro das escolas

E se a sala de aula também fosse palco para falar sobre racismo, machismo, sentimentos, sonhos e tudo aquilo que atravessa a vida dos jovens? No slam, a poesia ganha voz e espaço para ser ouvida.


A batalha de poesia falada, que surgiu em Chicago, nos Estados Unidos, na década de 1980, chegou ao Brasil em 2008 e vem conquistando novos públicos. Nas escolas, a prática encontra crianças e adolescentes dispostos a transformar pensamentos e experiências em versos.


Da vivência para o poema


No slam, não existe tema obrigatório. O que vale é colocar no papel, e depois na voz, aquilo que realmente mobiliza cada participante. Os poemas precisam ser autorais e ter até três minutos de duração.


É possível falar sobre questões sociais, como racismo, patriarcado e machismo, mas também sobre sentimentos, relações, cotidiano ou as pequenas belezas da vida. A liberdade temática é parte do que torna a prática tão próxima dos jovens.


Mais que uma competição


Embora tenha formato de batalha, o slam vai além da disputa por notas. Ao criar os próprios poemas e apresentá-los diante do público, os participantes exercitam a comunicação, a oralidade, a criatividade e a confiança para falar em público.


A prática também aproxima a literatura de experiências que fazem parte do cotidiano dos estudantes. Em vez de apenas ler textos de outros autores, eles passam a experimentar a escrita como forma de contar suas próprias histórias e opiniões.


“É uma literatura que não se coloca em um pedestal”, explica a proposta do movimento, que também funciona como espaço de encontro, escuta e expressão.


Como funciona uma batalha de slam?


As regras são simples. Cada poeta, chamado de slammer, apresenta um poema autoral de até três minutos. Não são permitidos figurinos, cenários ou instrumentos musicais: a performance fica por conta da voz e do corpo.


Os jurados são escolhidos entre as pessoas da plateia e dão notas de zero a dez. Na primeira rodada, todos se apresentam. As maiores pontuações levam cinco participantes para a segunda etapa e, na rodada final, três disputam o primeiro lugar.


Como fazer uma oficina de slam na escola?


Organizar uma atividade de slam pode começar de maneira simples. O primeiro passo é criar um ambiente seguro para que os estudantes se sintam à vontade para escrever e compartilhar suas ideias.


1. Apresente o slam


Antes de pedir que os alunos escrevam, explique o que é a poesia falada e mostre como funciona uma batalha. Apresentar exemplos de performances também ajuda a despertar o interesse e mostrar que não existe um único jeito de fazer poesia.


2. Escolha um tema — ou deixe livre


A oficina pode partir de um assunto, como identidade, escola, cidade, futuro ou relações, ou deixar cada estudante escolher o que deseja contar. O mais importante é que o texto tenha significado para quem escreve.


3. Coloque as ideias no papel


Não é preciso começar com um poema pronto. Uma pergunta pode ajudar: “O que eu gostaria que as pessoas ouvissem sobre mim ou sobre o mundo?”. A partir daí, palavras, frases e experiências podem virar versos.


4. Trabalhe a apresentação


Depois da escrita, é hora de experimentar a voz. Ler em voz alta, controlar o ritmo, fazer pausas e observar a postura são maneiras de trabalhar a performance. O estudante não precisa decorar o texto para participar.


5. Crie um momento de escuta


A apresentação pode ser feita para toda a turma ou em pequenos grupos. Quem escuta também participa: o objetivo é acolher diferentes perspectivas e criar um espaço de respeito.


6. Faça uma batalha, se fizer sentido


Se a turma quiser experimentar o formato tradicional, cinco jurados podem ser escolhidos entre o público para dar notas de zero a dez. É possível manter as regras originais ou criar critérios próprios, deixando claro que a competição é apenas uma das possibilidades do slam.


Leia também: Poesia em sala de aula desenvolve linguagem e imaginação


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Fonte: Blog Lunetas

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