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ONU cobra que Afeganistão libere acesso de mulheres aos estudos

Talibã proibiu as afegãs de frequentarem o ensino médio e universidades do país
ONU cobra que Afeganistão libere acesso de mulheres aos estudos

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, cobrou, no último dia 28 de dezembro, que o governo do Afeganistão revogue as medidas que proíbem o acesso de mulheres ao ensino médio e às universidades do país. De acordo com ele, essas restrições são injustificáveis violações dos direitos humanos.


A política de proibir que afegãs frequentem escolas e universidades foi anunciada pelo ministro da educação Neda Mohammad Nadim na última semana, mas as mulheres vêm perdendo seus direitos desde o final de agosto de 2021, quando o talibã reassumiu o poder após 20 anos de ocupação liderada pelos Estados Unidos. Um desses direitos perdidos foi a liberdade de usar as roupas que desejarem, sendo obrigadas a utilizarem roupas que cubram o corpo da cabeça aos pés. Elas também não podem mais frequentar parques e ginásios.


As mulheres do Afeganistão ainda estão proibidas de trabalhar em ONG e organizações de ajuda humanitária, o que fez com que quatro grandes agências internacionais de ajuda suspendessem suas operações no país.


O que é o Talibã?


Grupo fundamentalista islâmico, o Talibã teve origem no Afeganistão, durante a Guerra Civil Afegã. Ele interpreta radicalmente a Sharia (lei islâmica), e por isso proíbe as mulheres de acessarem seus direitos, além de obrigá-las a usar burca.


O Afeganistão foi governado pelo Talibã de 1996 a 2002, e foi destituído do poder quando os Estados Unidos invadiu a região como represália ao fato do grupo fundamentalista ter dado abrigo a Osama bin Laden, responsável pelo atentado de 11 de setembro. Porém, em 2021 ele voltou ao poder.


Atentado contra Malala


Foi o Talibã o responsável pelo atentado contra Malala Yousafzai, ativista paquistanesa conhecida mundialmente por lutar pelo direito das mulheres de estudarem. O ataque aconteceu em outubro de 2012, quando a garota, na época com 15 anos de idade, estava em um ônibus que a levava para casa, junto com outras meninas, após um dia de escola.


Malala foi baleada na cabeça por ter criado o blog “Diário de uma Estudante Paquistanesa”, onde publicava textos sobre seu amor pelos estudos e as dificuldades de ser uma menina e estudante no Paquistão, e também por ter se tornado famosa em diversas partes do mundo ao conceder entrevistas sobre o assunto. Para o Talibã, ela era uma ameaça.


Aos 17 anos, Malala recebeu o Prêmio Nobel da Paz, se tornando a pessoa mais jovem a ser agraciada com a premiação. Hoje ela vive na Inglaterra e é uma mulher casada, graduada e autora de vários livros.


Leia mais sobre Malala Yousafzai


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Fonte: E+B Educação | Daniele Marques

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