A pandemia da Covid-19 trouxe diversas mudanças para as nossas vidas, como o uso constante de máscaras fora de casa (ainda comum, mesmo que com a retirada da obrigatoriedade em diversas cidades brasileiras), o maior cuidado com a higiene das mãos e ainda a necessidade de distanciamento e isolamento nos casos de doença.
Mas as mudanças não param por aí. No campo educacional, a pandemia acelerou uma tendência que já se desenhava no horizonte desde antes de 2020: o uso cada vez mais frequente da tecnologia na educação básica. Nos períodos mais críticos da pandemia, oferecer aulas por meio da internet foi a solução encontrada para que os alunos não ficassem sem estudar por períodos indeterminados. Só que ela não vai ficar para trás na medida que superamos a emergência sanitária.
A TIC Educação 2021, pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) realizada no ano passado, evidenciou essa realidade. Ela ouviu mais de 1.800 docentes de áreas rurais e urbanas, e mostra também os problemas que a falta de adequação pode acarretar tanto para a qualidade do ensino tanto para o aprendizado dos discentes.
TIC Educação 2021: o que mostram os dados
A maioria esmagadora dos professores entrevistados, cerca de 91%, afirmou que a escola ofereceu aulas e atividades aos seus alunos na modalidade híbrida, ou seja, equilibrando estratégias que exigem a presença do aluno na instituição e também aquelas que podem ser feitas online. 39% dos docentes afirmaram que a escola na qual atuam ofereceu aulas remotas, e apenas 12% ofertaram aulas presenciais durante a pandemia.
A pesquisa também evidenciou que nos centros urbanos as escolas tiveram menos problemas para oferecer aulas virtuais do que as escolas localizadas em ambientes rurais. Isso se justifica pela falta de conexão de qualidade à internet em locais afastados dos grandes centros, o que dificulta a realização de atividades educacionais com uso de tecnologias.
84% dos professores de escolas urbanas relataram como desafio a falta de dispositivos e de acesso à internet de qualidade na casa dos seus alunos. Entre os docentes das escolas rurais, o número de reclamações nesse sentido cresce para 92%. A TIC também mostrou que 93% dos docentes usaram telefone celular para desenvolver atividades educacionais; 84%, computador portátil; 44%, computador de mesa, e 11%, tablet. Um a cada quatro professores não tinha um dispositivo exclusivo para essas atividades e precisava compartilhar os disponíveis com outras pessoas.

O que se pode esperar do futuro?
Especialistas indicam que as tecnologias seguirão sendo usadas nas escolas mesmo agora, com a volta à rotina de aprendizagem presencial. Isso significa que as instituições e o governo precisam se preparar melhor para essa realidade, adotando estratégias como: utilização de aplicativos e plataformas virtuais de aprendizagem de qualidade e fácil acesso; o treinamento eficiente dos professores e ainda a elaboração de um planejamento de investimentos para que a tecnologia possa contribuir com a educação brasileira de maneira assertiva.
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