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Esgotamento e choro entalado: o cansaço físico e mental dos profissionais de saúde

Eles compõem a chamada linha de frente contra a Covid-19. Nesses quase dois anos que lutamos contra a pandemia, foram eles que saíram e continuam saindo de casa por obrigação (ou senso de dever) para tentar salvar nossos familiares, amigos e até nós mesmos, ao sermos acometidos pela doença. Antes das vacinações oferecerem mais esperança, esta era encontrada integralmente sobre os seus ombros, e como já era de se esperar: o esgotamento físico e mental veio.
A Fiocruz apresentou, em março de 2021, os resultados da pesquisa “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19”, que realizou em todo o território nacional. Eles evidenciam que a pandemia alterou a vida de 95% dos trabalhadores da área de saúde, e que quase 50% deles tiveram excesso de trabalho, além de necessitarem de mais de um emprego para poderem sobreviver e pagar as suas contas.
A pesquisa também mostrou que os profissionais da linha de frente estão marcados pelo sofrimento, pela dor e pela tristeza, e que apresentam fortes sinais de esgotamento. A isso, soma-se o medo da contaminação e da morte, e as preocupações individuais em relação a salários, alimentação, transporte, família e outras demandas. Não tem sido dias fáceis para a população em geral, e nem para os heróis que cuidam de todos nós.
O que fazer em caso de esgotamento?
“O choro é livre”. Essa frase, muitas vezes utilizada como maneira de fazer chacota do outro, se aplica muito bem aqui: se você é profissional da área de saúde e está cansado, esgotado e em sofrimento, chore. O choro, cientificamente falando, faz bem para o nosso corpo, já que libera endorfina, que ajuda a aliviar dores emocionais e físicas, e acalmam o desespero, podendo dar, até mesmo, sensação de calma e bem-estar.
Passar muito tempo tentando segurar o choro, por sua vez, é prejudicial à saúde e pode provocar alterações no organismo, como problemas digestivos e relacionados à pressão arterial. Especialistas indicam que o choro é um dos aspectos necessários para diminuir a tristeza, e pode trazer benefícios também a longo prazo, como lubrificação ocular e maior inteligência emocional.
Após passar alguns minutos (ou horas) chorando, o ideal é procurar por atendimento psicológico. Infelizmente nem todos os hospitais e centros de saúde oferecem esse tipo de serviço aos profissionais de saúde, mas eles podem encontrar suporte em clínicas especializadas em Psicologia e Psiquiatria, disponíveis tanto gratuitamente quanto para quem pode ou prefere pagar, ou utilizar algum plano de saúde.
Com a terapia em dia, é hora de descansar. A rotina é pesada, mas todas as instituições são obrigadas a fornecer locais e períodos de descanso para os trabalhadores da saúde. Nos seus momentos de folga, o profissional deve não pensar em trabalho e distrair a sua mente, seja simplesmente dormindo, fazendo nada, assistindo uma série ou filme, viajando ou passeando com quem você ama (com todos os cuidados para não se contaminar com o coronavírus!).
O ideal é que uma atividade física também seja incluída na rotina. A prática de exercícios pode ocorrer em academias de ginástica, na praia, na rua ou até mesmo dentro de casa (ideal nesse período de pandemia), e pode envolver levantamento de peso, corrida, dança, aeróbico e muitas outras modalidades. Pode confiar, esse combo irá contribuir com a melhora da sua saúde física e mental. E caso não resolva nada, não deixe de procurar ajuda com um psiquiatra de confiança.
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