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‘Estados Unidos do Brazil’: a história por trás do brasão

Primeira versão da carta de Flávio Bolsonaro resgata antiga denominação oficial do país
‘Estados Unidos do Brazil’: a história por trás do brasão

O nome “Estados Unidos do Brazil” chamou a atenção após aparecer no brasão utilizado na primeira versão de uma carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), em 28 de outubro. O documento foi republicado posteriormente com o símbolo oficial atualizado, mas a referência despertou a curiosidade sobre uma denominação que fez parte da história brasileira por décadas.


A expressão não é recente. Ela remonta a 1889, quando a Proclamação da República encerrou o período monárquico e deu início a uma nova organização política no país. Desde então, o Brasil passou por mudanças no nome oficial, na grafia e nos símbolos nacionais.


Por que o Brasil já se chamou Estados Unidos do Brazil?


Em 15 de novembro de 1889, o Decreto nº 1 estabeleceu as bases do novo regime republicano e adotou a denominação “Estados Unidos do Brazil”. O nome refletia a proposta de transformar o país em uma federação, formada por estados com autonomia política, em substituição às províncias do período imperial.


A escolha também dialogava com o modelo dos Estados Unidos da América, cuja organização federativa servia de referência para setores republicanos brasileiros. Durante o Império, o Brasil era uma monarquia constitucional organizada de forma mais centralizada, com províncias subordinadas ao governo central.


A grafia “Brazil”, com a letra Z, também fazia parte do uso oficial da época. Por isso, a combinação das palavras no antigo brasão representa uma etapa específica da história política e linguística do país.


Quando o nome Brasil mudou?


A atualização do nome e da grafia aconteceu em momentos diferentes. Em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas, a forma “Brasil”, com S, foi oficializada em substituição a “Brazil”, com Z.


Décadas depois, o país deixou de se chamar oficialmente “Estados Unidos do Brasil”. A mudança foi formalizada pela Lei nº 5.389, de 22 de fevereiro de 1968, que determinou a atualização da denominação nas Armas Nacionais e em outros símbolos oficiais.


A partir dessa alteração, consolidou-se o nome República Federativa do Brasil, utilizado atualmente. O desenho do brasão nacional também passou por mudanças ao longo dos anos, e o modelo vigente está em uso desde 1971.


Por que o antigo nome apareceu na carta de Flávio Bolsonaro?


A primeira versão da carta divulgada por aliados do senador trazia um brasão com a denominação histórica. Depois, Flávio publicou uma nova versão do documento, substituindo o símbolo pelo modelo atual das Armas Nacionais da República Federativa do Brasil.


No texto, o parlamentar contesta o resultado das eleições presidenciais vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Na versão inicial, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na republicação, passou a se descrever como “líder do Brasil”.


O que diz a lei sobre o uso de símbolos oficiais?


O uso do símbolo oficial em uma comunicação particular também levantou questionamentos jurídicos. A legislação prevê punições para determinadas formas de utilização indevida de símbolos públicos, mas a presença do brasão, isoladamente, não permite concluir que houve crime. 


Uma eventual responsabilização depende da análise das circunstâncias e dos requisitos legais aplicáveis. A repercussão da carta trouxe novamente à tona uma parte da história nacional: um nome que deixou de ser oficial há décadas, mas permanece registrado em documentos e símbolos de outro período da República.


Leia também: Eleições 2026: quando será a posse do presidente?


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Fonte: Metrópoles, Wikipédia e Carta Capital

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