Já ouviu falar de "quiet quitting"? Para quem não sabe, o termo tem o significado de "demissão silenciosa" e está relacionado ao fato de desenvolver o que está estabelecido em contrato de trabalho, nada além disso. A ideia abrange desempenhar as funções profissionais sem colocá-las como o foco central da vida.
O fenômeno "quiet quitting" é uma forma de repensar as relações de trabalho. O termo tem origem nos Estados Unidos e remete a uma derivação de "quitting-in-place" cujo significado é "desistir sem sair do lugar". Profissionais que adotam esse modelo rejeitam dedicar horas extras de serviço. Ao invés disso, priorizam o bem-estar e a saúde.
Como funciona o “quiet quitting”?
Quiet quitting é uma prática de repensar o trabalho a partir da expectativa de não cumprir nada fora do combinado. Nesse caso, o profissional não produz atividades além do expediente, não responde e-mails fora do horário de trabalho e, muito menos, realiza serviços adicionais. O termo ganhou força nas redes sociais, em especial no TikTok, com hashtag a #quietquitting, que tem mais de 129 milhões de visualizações, até esta quinta-feira, 15 de setembro.
O fenômeno é divergente ao workaholismo. Esse último remete a um termo atribuído às pessoas viciadas em trabalho, que realizam longas horas de atividades laborais. Profissionais desse tipo colocam o serviço acima dos interesses pessoais e têm como prioridade a alta performance. O quiet quitting, por sua vez, significa realizar o necessário e estabelecer limites.
Quiet quitting | chefes ruins ou funcionários desmotivados?
Uma pesquisa realizada pela consultoria de desenvolvimento de liderança Zenger/Folkman revelou que, em geral, a "demissão silenciosa" tem mais a ver com a incapacidade de um gestor de construir um relacionamento com os funcionários do que com a falta de vontade do colaborar em trabalhar mais tempo e de forma mais criativa.
A coleta de informações para a pesquisa foi feita desde de 2020. Foram analisados os dados de 2.801 gestores, observados por 13.048 subordinados diretos. Em média, cada gestor foi avaliado por cinco subordinados diretos em relação a dois pontos:
• Capacidade do gestor de "equilibrar a obtenção de resultados com a preocupação com as necessidades dos outros";
• Classificação dos funcionários sobre até que ponto seu ambiente de trabalho é um lugar onde as pessoas querem ir além.

Demissão silenciosa tem mais a ver com gestores, segundo pesquisa. (Foto: Adobe Stock)
Com base no resultado da pesquisa, os gestores menos eficazes têm três a quatro vezes mais colaboradores que se enquadram na categoria “desistência silenciosa” em comparação com os líderes mais competentes. Os piores avaliados tiveram 14% de seus subordinados diretos desistindo discretamente e apenas 20% dispostos a fazer um esforço extra.
Já os líderes com melhores índices de avaliação têm 62% de seus subordinados diretos predispostos a fazer um esforço extra, enquanto apenas 3% estavam desistindo silenciosamente. As informações são da Harvard Business Review. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.
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