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Trabalho remoto: profissionais preferem pedir demissão a abandonar a modalidade

Pandemia impulsionou modelo de trabalho que é, hoje, o queridinho de muitos profissionais
Trabalho remoto: profissionais preferem pedir demissão a abandonar a modalidade

Está acontecendo uma verdadeira onda de demissões por parte daqueles que não querem abandonar o trabalho remoto. Após mais de dois anos sobrevivendo — e, enquanto isso, trabalhando — dentro de casa, muitos profissionais criaram uma nova realidade e se adaptaram bem a ela, gerando bons resultados tanto para si quanto para as empresas. Nesses casos, justifica voltar para o trabalho presencial?


A Robert Half, empresa global de recrutamento, divulgou uma pesquisa que mostrou que 50% dos trabalhadores americanos preferem pedir demissão do que voltar ao trabalho presencial em escritório em tempo integral. E os motivos vão além da adaptação ao trabalho remoto, envolvendo também qualidade de vida, saúde mental e economia financeira.


Na prática isso já tem chamado a atenção, inclusive, nas grandes empresas. Em maio, por exemplo, Ian Goodfellow, então diretor de machine learning da Apple, pediu demissão após a aplicação da política de retorno ao escritório da empresa. E na marca, há movimentos como o dele prontos para vir à tona: uma pesquisa revelou que 76% de 650 funcionários da Apple estão insatisfeitos com os planos de retorno ao trabalho presencial, e desses, 56% consideram se demitir por esse motivo.


Há muitos profissionais ansiosos para pedir as contas, seja na Apple ou até mesmo em empresas brasileiras (sim, o fenômeno já chegou ao nosso País), e os recrutadores acreditam que mais demissões acontecerão à medida que as empresas decidam retomar o trabalho presencial.


Benefícios do trabalho remoto


Ao trabalharem dentro de suas casas, em espaços de coworking ou até mesmo na praia (por que não?), muitos trabalhadores perceberam que podem ter mais controle de suas vidas profissional e pessoal, e com isso garantir mais saúde física e mental. Com um bom planejamento, é possível, por exemplo, fazer atividades físicas, meditar, ter tempo para a família, trabalhar bastante e ainda investir em lazer. Tudo isso sem precisar perder várias horas com transporte e engarrafamentos para chegar a um determinado escritório.


Para os defensores do trabalho remoto, o trabalho presencial causa mais stress, traz mais gastos para as empresas, ocasiona maior perda de tempo com deslocamentos e tem ainda uma grande limitação: a necessidade de atrair profissionais de uma determinada região, para um determinado espaço. Uma empresa de São Paulo, por exemplo, só poderia contratar, nesse modelo, colaboradores que vivem na cidade.


Ao contrário, o trabalho remoto ampliaria as opções das empresas e dos próprios trabalhadores, que podem estar em São Paulo e trabalhar em uma organização com sede na Bahia, no México ou em qualquer outro lugar do mundo, o que também pode resultar em salários maiores.


Benefícios do trabalho presencial


Do outro lado, estão os defensores do trabalho presencial. Recentemente, viralizaram na internet algumas falas do empresário Elon Musk, que é um defensor ativo dessa modalidade. E assim como ele, muitos trabalhadores concordam que o trabalho presencial é o melhor, pois trás um maior controle por parte da gestão empresarial, além de permitir o contato direto entre colegas, aumentando e facilitando o networking.


Para quem tem dificuldade em criar uma rotina de trabalho, o presencial também tende a ser o melhor modelo, pois com seus horários bem definidos, o profissional pode ter mais facilidade em se organizar. Aqueles que não moram sozinhos e precisam estabelecer limites para os familiares (que interrompem as atividades várias vezes no dia, por exemplo), estão entre os que mais clamam pela volta desse modelo de trabalho.


O que Beyoncé tem a ver com as demissões?


A diva do pop Beyoncé lançou, na última semana, a música dançante "Break my Soul", o que deixou seus fãs em êxtase. O que ninguém esperava é que a canção iria se tornar rapidamente uma espécie de hino da "Great Resignation", como a onda de demissões está sendo chamada nos Estados Unidos.


Surgiram nas mídias sociais vários relatos de profissionais que pediram demissão após ouvir a música da Beyoncé. Isso porquê ela fala do burnout, do excesso de trabalho e da necessidade que as pessoas têm de se sentirem livres e fazerem o que amam, ao invés de só trabalharem o dia todo. Confira trechos traduzidos da canção:


beyonce-musica-demissao-trabalho


“Agora, acabei de me apaixonar, e acabei de me demitir

Eu vou encontrar um novo caminho

Caramba, eles me fazem trabalhar tanto

Entrando às 9h e saindo depois das 5h

E eles forçam os meus nervos

É por isso que eu não consigo dormir à noite”


A artista também canta:


“Liberte sua raiva, liberte sua mente

Liberte seu trabalho, liberte seu tempo

Liberte seu negócio, liberte seu estresse

Liberte seu amor, esqueça o resto”


Leia também: Trabalhar demais mata 745 mil pessoas por ano no mundo


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Fonte: E+B Educação | Daniele Marques

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