A gravidez na adolescência aumenta os riscos de morte materna e infantil, risco de ter parto prematuro, anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia e depressão pós-parto. Nessa fase, quando as mães engravidam ainda na adolescência, especialmente com menos de 15 anos, maiores são as chances de terem gravidez de risco, com bebês prematuros e baixo peso.
A gravidez na adolescência é maior no Norte e Nordeste, segundo o levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Cerca de 24% dos nascidos vivos no Norte, no período pesquisado, são de jovens de 15 a 19 anos, enquanto no Nordeste o percentual chega a 20%. Já no Centro-Oeste, Sul e Sudeste são 17%, 15% e 14,5%, respectivamente.
No Brasil, cerca de 380 mil partos foram em mulheres com até 19 anos de idade, em 2020, o que representa 14% de todos os nascimentos no país, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. Entre essa porcentagem, a maior parte refere-se à maternidade na adolescência entre indígenas.
A maternidade na adolescência afeta mais jovens indígenas
As indígenas são as mais afetadas pela gravidez na adolescência e as que têm menos acesso ao acompanhamento pré-natal, de acordo com pesquisa da Fiocruz. Entre estas, 30% estavam na faixa etária de 10 a 19 anos quando se tornaram mães de 2008 a 2019.
Segundo o estudo, a porcentagem de nascidos vivos de mães adolescentes com 15 a 19 anos caiu entre todas as raças, exceto para as indígenas, mantendo-se estável acima dos 25%.
Ainda conforme a pesquisa, a faixa etária mais nova, de 10 a 14 anos, corresponde a menos de 5% das gestações, mas é destacada por “fortes evidências de gravidez relacionada a situações de violência sexual”, conforme a Fiocruz.
Adolescentes grávidas têm dificuldades para fazer pré-natal
O acesso a consultas com obstetra durante a gestação na adolescência não é realizada de forma satisfatória, segundo apurou a pesquisa da Fiocruz e isso reflete, principalmente, entre as indígenas.
Cerca de 10% das adolescentes indígenas que se tornaram mães entre os 10 e 14 anos não tiveram nenhuma consulta de pré-natal, enquanto que entre as meninas pretas e pardas da mesma idade a porcentagem é de 3,6% e 3,3%, respectivamente. Já entre as brancas, a falta de acesso foi relatada por 1,9%.
Entre os motivos para a dificuldade de ter acesso ao pré-natal na adolescência estão a maior dificuldade de identificar, processar emocional e socialmente a gestação e dificuldade de acessar o serviço, possivelmente com influência de estigmas em relação à maternidade na adolescência e falta de acolhimento.
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